Autoridades, líderes políticos e personalidades reagem com indignação. “Ele passou de todos os limites”, diz Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu nesta sexta-feira que o governo de Jair Bolsonaro afaste o secretário da Cultura, Roberto Alvim.

O pedido vem após divulgação de vídeo oficial em que Alvim parafraseia trechos de discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista.

“O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo com urgência do cargo”, afirmou Maia nas redes sociais.

O comentário de Roberto Alvim desencadeou uma série de reações de indignação por parte de autoridades, líderes políticos e analistas.

David Alcolumbre divulgou nota afirmando: “Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo. É totalmente inadmissível, nos tempos atuais, termos representantes com esse tipo de pensamento. E, pior ainda: que se valha do cargo que eventualmente ocupa para explicitar simpatia pela ideologia nazista e, absurdo dos absurdos, repita ideias do ministro da Informação e Propaganda de Adolf Hitler, que infligiu o maior flagelo à humanidade”.

A embaixada alemã tuitou: “O período do nacional-socialismo é o capítulo mais sombrio da história alemã, trouxe sofrimento infinito à humanidade. A Alemanha mantém sua responsabilidade. Opomo-nos a qualquer tentativa de banalizar ou mesmo glorificar a era do nacional-socialismo”.

Marcos Pereira, vice-presidente Câmara, divulgou nota afirmando: “Na qualidade de presidente nacional do Republicanos e presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Israel, repudio de forma veemente a postura do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, que se valeu de retórica de propaganda nazista para tratar de um prêmio nacional de arte”. “Inadvertidamente ou consciente dos seus atos, Alvim ainda acusou a ‘esquerda’ ao afirmar que essa ‘associação remota’ é uma ‘falácia’, e que trata-se apenas de uma’coincidência retórica’.

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, declarou: “Tem que ser afastado imediatamente se o governo ainda quiser manter alguma credibilidade democrática. É inaceitável. O nazismo não é aceitável como referência de poder”.

Luciano Huck tuitou: “Meu sentimento é de indignação. Sou um brasileiro de família judia. Seis milhões de judeus morreram por causa do nazismo. O Holocausto é um fato histórico. Usar a Cultura para fazer revisionismo histórico é perverso”.

O comentarista da Globo News Guga Chacra tuitou: “O presidente Jair Bolsonaro deveria demitir imediatamente o secretário da Cultura Roberto Alvim. É preciso se distanciar de apologistas do nazismo e repudiar publicamente a declaração. O antissemitismo e as ideias nazistas precisam ser combatidas. Assustador o discurso”.

Em O Globo, Arnaldo Bloch disse: No seu delirante discurso de ontem sobre o que considera o “renascimento da arte” no Brasil, o secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, não se limita a plagiar espantosamente Joseph Goebbels, o gênio do mal da propaganda hitlerista. Além do trecho que começou a viralizar na madrugada de hoje (lado a lado com palavras do ideólogo alemão), Alvim, num tom triunfalista medonho, traz à tona vários outros elementos que, há 90 anos, constituíram, no que toca à cultura, o nascimento do fascismo europeu e de sua forma germânica, o nazismo. A ideia, ventilada por ele, de que o povo precisa ser salvo de uma “cultura doente” (primeiro sintoma, ele diz, de uma doença social) ecoa claramente a noção nazista da “arte degenerada”, a ser expurgada. Parecido com o afã purificador que, em Berlim, incluiu até uma exposição de pinturas de grandes mestres modernos destinada a fomentar, no grande público, o horror a tudo que respirasse liberdade, crítica, transgressão, pluralidade”.