Bahrein lamenta as mortes no Holocausto e se solidariza com sobreviventes

O Bahrein lamenta as milhões de vidas perdidas no Holocausto e se solidariza com os sobreviventes, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abdullatif bin Rashid Al-Zayani, a seu homólogo israelense Gabi Ashkenazi em homenagem ao Dia Internacional em Memória do Holocausto, nesta quarta-feira (27).

Em raro gesto de um alto funcionário de um Estado árabe, Al-Zayani escreveu que a data “permanece como um memorial solene às vítimas do Holocausto e um importante lembrete sobre a necessidade de defender nosso compromisso universal de rejeitar todas as formas de antissemitismo e ódio, para que o nosso mundo nunca mais testemunhe tal atrocidade”.

Al-Zayani chamou o Holocausto de “crime abominável contra a humanidade” e disse que o Bahrein “se solidariza com os sobreviventes e suas famílias”.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein apontou para a comunidade judaica de seu país de cerca de 50 pessoas e disse que o Bahrein está comprometido com o multiculturalismo e o diálogo inter-religioso.

“Seguindo a visão de Sua Majestade o Rei Hamad bin Isa Al Khalifa, continuamos a semear as sementes da coexistência, demonstrando à região e ao mundo que não há lugar para a ignorância e o extremismo: apenas paz e compreensão”, escreveu Al-Zayani.

Israel e Bahrein anunciaram a normalização das relações diplomáticas plenas em setembro, na esteira dos acordos de Abraão mediados pelo governo Trump, que começou com a normalização com os Emirados Árabes Unidos.

Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein compartilham um inimigo comum: o Irã, e a cooperação de segurança e inteligência entre os países estabeleceu a base para relações diplomáticas abertas. Os líderes iranianos negam o Holocausto e o aiatolá Ali Khamenei costuma tuitar questionamentos sobre se milhões de judeus morreram durante o regime nazista.

Um porta-voz das Forças Armadas iranianas, Sardar Shekarchi, aproveitou a oportunidade do Dia Internacional em Memória do Holocausto nesta quarta-feira para dizer que Teerã “nivelará” Tel Aviv e Haifa e que “o regime sionista” é “um tumor cancerígeno na região” e que “deve ser extinto”.

Em outubro, o ministro das Relações Exteriores dos Emirados, Abdullah bin Zayed, se tornou o primeiro oficial sênior de um estado árabe a visitar um memorial ou museu do Holocausto desde que o presidente egípcio Anwar Sadat foi ao Yad Vashem em 1977.

Bin Zayed e Ashkenazi foram ao Memorial do Holocausto em Berlim, como parte de uma visita ao Ministro das Relações Exteriores alemão Heiko Maas.

Ashkenazi compartilhou esta semana na Conferência Anual do Instituto de Estudos de Segurança Nacional que a visita ao memorial foi ideia de Bin Zayed, o que o surpreendeu e o impressionou que os ministros dos Emirados Árabes Unidos busquem um relacionamento genuíno com Israel com base no entendimento mútuo.

Durante a visita a Berlim, Ashkenazi contou a Bin Zayed a história de seu pai, que sobreviveu a um campo de concentração na Bulgária, mudou-se para Israel e lutou na Guerra da Independência.

Bin Zayed escreveu no livro de visitas do memorial: “Este lugar muito importante lembra a morte de muitos inocentes que perderam suas vidas devido ao ódio e extremismo” e enfatiza ao mesmo tempo os “valores humanos como tolerância, coexistência pacífica, aceitação dos outros e respeito pelos diferentes, religiões e crenças”.

“Estas são as bases do meu país e sempre serão um grande impulsionador de seu processo de desenvolvimento”, acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos concluiu sua mensagem com a frase “Nunca mais”.

Foto: MENAHEM KAHANA / REUTERS