Blocos pró e anti-Netanyahu não alcançam maioria nas eleições e premier pede o apoio de rivais para evitar quinta votação

Com 88% dos votos apurados até o início da tarde desta quarta-feira (hora de Israel), os blocos pró e anti-Netanyahu não pareciam ter uma maioria clara nas eleições do dia anterior. O resultado final é esperado para sexta-feira.

O bloco de direita liderado pelo Likud e acompanhado por UTJ (Judaísmo da Torá Unida), Shas, Partido Religioso Sionista e Yamina de Naftali Bennett, conquistou até o momento 59 cadeiras das 120 no Knesset.

Com esse número, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não seria capaz de formar um governo pela sétima vez em sua carreira política de três décadas, de acordo com resultados preliminares de 97% dos locais regulares de voto divulgados pelo Comitê Central de Eleições.

De acordo com esses resultados, o Likud de Netanyahu conquistou 30 cadeiras, Yesh Atid 18, Shas 9, Azul e Branco 8, Judaísmo da Torá Unida, Yamina e Partido Trabalhista 7, Nova Esperança, Yisrael Beytenu, o Partido Religioso Sionista 6 e Meretz 5.

Reconhecendo que ele pode ficar aquém dos votos de que precisa para formar uma coalizão viável após uma quarta eleição inconclusiva, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se absteve de declarar vitória em um discurso nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira e, em vez disso, pediu aos membros de partidos rivais que deixem de lado as diferenças pessoais e se juntem a ele para evitar uma quinta eleição.

Netanyahu disse que “uma clara maioria” dos 120 membros recém-eleitos do Knesset apoia suas políticas e que pretende se dedicar nos próximos dias a “conversar com todos os parlamentares” dispostos a ajudar a construir um governo estável. A única alternativa para uma coalizão sob sua liderança, disse ele, seria mais uma eleição.

Enquanto as cédulas estavam sendo contadas durante a noite, as pesquisas de opinião sugeriram que nem Netanyahu nem qualquer um de seus rivais tinham um caminho claro para obter uma maioria no Knesset. Depois de um impasse semelhante nas eleições há um ano, no entanto, Netanyahu convenceu seu principal adversário na ocasião, o líder do Azul e Branco, Benny Gantz, a se juntar a ele em um “governo de unidade de emergência”. Seu discurso desta vez pareceu marcar o movimento de abertura em um esforço semelhante para persuadir os rivais políticos a se aliarem a ele.

O acordo de coalizão de Netanyahu com Gantz se desfez em dezembro passado, quando o primeiro-ministro não conseguiu aprovar um orçamento de estado e o Knesset foi automaticamente dissolvido, desencadeando as eleições desta terça-feira. Gantz prometeu nunca mais ser parceiro de Netanyahu.

O primeiro-ministro pode estar esperando, no entanto, uma aproximação com ex-aliados de Gantz e/ou outros partidos, incluindo a Nova Esperança liderado pelo ex-ministro do Likud Gideon Sa’ar.

Foto: MARC ISRAEL SELLEM/THE JERUSALEM POST