Boris Johnson vai apresentar lei proibindo a campanha de boicote a Israel, diz fonte do governo

O recém-eleito primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve apresentar ainda nesta semana um projeto de lei para impedir a campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel.

“O BDS é antissemita e deve ser tratado como tal. E o antissemitismo é um ataque ao estilo de vida e à identidade britânicos”, disse o funcionário especial do Reino Unido para questões pós-Holocausto, Eric Pickles, em conferência do Instituto Internacional para Diálogo Estratégico em Jerusalém na noite deste domingo (15), ao explicar que a nova lei não permitirá que órgãos públicos trabalhem com aqueles que adotam a campanha contra Israel. “Sem nossos cidadãos judeus, seríamos uma nação menor”, disse ele.

A rainha Elizabeth lerá o tradicional “discurso da rainha” – preparado para ela pelo primeiro-ministro e seu gabinete, que descreve a agenda do governo para o próximo ano – na abertura do novo Parlamento na quinta-feira. Um site de notícias do Reino Unido chamado “i” informou que Johnson incluirá no discurso, como prioridade, a lei anti-boicote.

A plataforma do Partido Conservador nas eleições gerais do Reino Unido na semana passada incluiu o compromisso de “proibir os órgãos públicos de imporem seus próprios boicotes diretos ou indiretos, desinvestimentos ou campanhas de sanções contra países estrangeiros. Isso prejudica a coesão da comunidade”.

A medida visa impedir que os conselhos locais controlados pelo Partido Trabalhista usem os fundos dos contribuintes para boicotar países estrangeiros, incluindo Israel.

Pickles, que também é presidente dos Amigos Conservadores de Israel, disse que a derrota histórica do Partido Trabalhista nas eleições da semana passada mostrou que o povo britânico rejeita o antissemitismo.

Os conservadores de Johnson conquistaram 365 cadeiras na Câmara dos Comuns, seu melhor desempenho desde a última vitória do partido, com Margaret Thatcher, em 1987. O Partido Trabalhista caiu para 203 cadeiras, o pior resultado desde 1935.

Grupos judaicos acusaram Corbyn de permitir um aumento do antissemitismo nas fileiras de seu partido, antes considerado o lar natural dos judeus britânicos. Milhares de casos de discurso de ódio contra judeus foram registrados no partido desde 2015, quando Corbyn foi eleito para liderar o partido.

Tanto o Presidente Reuven Rivlin quanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu parabenizaram Johnson por sua vitória, afirmando que foi um acontecimento positivo para as relações Israel-Reino Unido.