Credito: Brunno Rodrigues

“Brasil precisa combater racismo estrutural” 

  A Confederação Israelita do Brasil (Conib) assinou documento em apoio a movimento em defesa de populações marginalizadas e contra o racismo, em reação à brutal morte de George Floyd pela polícia nos EUA. O documento foi trazido pelo Babalaô Ivanir dos Santos, com quem a Conib mantém relações e parcerias na luta contra o racismo no Brasil. A Fierj e a Fisesp ttambém apoiaram.

Doutor em em História pela UFRJ, Ivanir respondeu à Conib sobre o documento, a morte de George Floyd, racismo e antissemitismo.

Qual a importância deste documento?

O documento tem por objetivo evidenciar anos e anos de silenciamento histórico acerca do racismo estrutural que forjou todas as relações sociais, econômicas, políticas e religiosas no Estado brasileiro. É um respiro no meio de tantas agressões que todos os dias acomete as populações negras.

Quais ações, na sua opinião, seriam eficazes para combater o racismo?

Primeiramente o Brasil precisa reconhecer que é um Estado racista e assumir, por meio de fomentos em todos os setores, uma política antirracismo. E ao assumir, ponderar que as relações raciais no Brasil são frutos de séculos de promoção do trabalho escravo e que precisamos desvelar o mito da democracia racial.

Como o senhor percebe a questão do antissemitismo?

Como preocupante não só no Brasil mas também nos quatro cantos do mundo. Por isso que pontuo que a luta precisa ser coletiva e não setorizada como se fosse apenas problema das vítimas das agressões raciais. A luta antirracismo precisa ser para além de pronunciamento pelo fim do racismo.

O senhor acha que há avanços na sociedade em relação ao racismo?

É muito difícil falarmos em avanços quando nos deparamos com casos do pequeno Miguel, vítima de uma negligência da patroa da mãe e da avó. Ou do jovem João Pedro Matos, que morreu após a casa ser fuzilada. Casos como esses corroboram para que possamos compreender o quão vil é o sistema estrutural do racismo nos colocando à margem do sistema como a carne mais barata do mercado.

Como o senhor vê as manifestações em torno da morte de George Floyd?

Vejo as manifestações como um estopim contra séculos e mais séculos de opressão, intolerâncias e preconceito contra as comunidades negras e marginalizadas. Por longos processos históricos as comunidades negras, em várias partes do mundo, sofreram, e ainda sofrem, com os cinemas coloniais que se camuflam nas transformações da contemporaneidade. Os gritos e clamores por justiças são válidos e irão impactar ainda mais. Mas para além das manifestações, buscamos equidade e tolerância para a construção de uma sociedade mais diversa, plural.

  • Foto: Brunno Rodrigues