Innocean Berlim / Anne Frank House

Campanha por tolerância lançada pela Casa de Anne Frank na Holanda tem diretores de criação brasileiros 

A  Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 1995, o 16 de novembro como Dia Internacional  para a Tolerância. A data foi escolhida, este ano, pela Casa de Anne Frank, em Amsterdã, para lançar uma campanha contra o ódio e a intolerância, sob a hashtag #DontHateEducate. intitulado “The Bookcase for Tolerance”, o projeto parte da estante que ocultava a passagem para o Anexo, onde Anne e sua família se esconderam por mais de 2 anos, para abordar a intolerância nos dias atuais. A campanha é uma criação da agência Innocean Berlim, em parceria com a Media.Monks, para o museu Casa de Anne Frank. “A estante ocultava uma passagem, mas, ao mesmo tempo, protegia a vida. A ideia foi trazer a estante para o mundo virtual e a partir dela expandir para temas da sociedade atual como racismo, igualdade de gênero, a questão dos refugiados e, claro, antissemitismo. O intuito do projeto é muito simples: educar. Não à toa já começamos a receber feedbacks positivos de professores do mundo inteiro, pois começaram a levar experiência para dentro da sala de aula.”, explica o diretor de Criação da Innocean Berlim, o brasileiro e judeu Ricardo Wolff, com quem a CONIB conversou por Zoom. A ideia também conta com a participação do brasileiro Gabriel Mattar, parceiro criativo de Wolff desde 2002.

A partir de um aplicativo de realidade aumentada, o projeto convida o público a posicionar a famosa estante de Anne Frank em suas próprias casas, e então ingressar no quarto de Anne e de mais quatro personagens que lidam com preconceito e discriminação em suas vidas – Dalit, Mees, Kuei e Majd. Dalit é freqüentemente confrontada com antissemitismo. Já Mees luta para ser aceito como é: uma pessoa trans não binária. Kuei é uma mulher negra, discriminada pela cor da pele. E como refugiado da Síria na Holanda, Majd enfrenta preconceito. Nesta experiência, eles conversam com os visitantes sobre suas vidas, desafios e visões do futuro. “A origem da ideia nasceu da constatação de que, às vezes é mais fácil lembrar do passado do que ver que há sinais de intolerância visíveis agora, acontecendo do seu lado. A intolerância começa com pequenos atos que vão escalando. O Holocausto não começou com as câmaras de gás. Antes disso, houve a Kristallnacht, as Leis de Nuremberg, os xingamentos, o olhar colérico dos vizinhos”, diz Wolff, que trocou, em 2006, São Paulo pela Alemanha. “Eu vim fazer um estágio, depois arrumei um emprego e acabei ficando. Mas vim, ao mesmo tempo, em busca das minhas raízes, uma vez que meus avós paternos trocaram a Alemanha pelo Brasil. Minha avó, saindo de Hamburgo em 1936, e meu avô, nascido em Berlim, somente em 1946 – após sobreviver a Dachau, Bunchenwald e Auschwitz-Birkenau. Seus pais, infelizmente, foram para o outro lado na famosa ‘seleção’“.

O publicitário conta um pouco sobre a campanha, que tinha o desafio de falar destas questões atuais de uma maneira inovadora e que, dessa forma, tivesse maior apelo com o público jovem. “Todos os personagens vivem na Holanda. Majd, que é refugiado, fala do preconceito de que é alvo. Ele sente que as pessoas temem que ele seja um radical. È uma visão mais de fora para dentro. Já Mees conta de sua jornada tentando entender quem é e de como levar esta identidade para os outros. É mais uma visão de dentro para fora. Kuei diz que por muito tempo achou que o problema era ela. Hoje entende que a sociedade deve se educar para aceitar o diferente. E Dalit narra situações em que se confrontou com o antissemitismo. No entanto, a mensagem trazida por todos é sempre esperançosa. “Apesar de tudo, existe uma experiência de vida que ensina ou deixa algo para quem interage com a ferramenta. A pessoa que visita os quartos, através do APP, não é a mesma que sai”..

Mesmo a parte de Anne Frank, com roteiro construído a partir de frases soltas pinçadas de seu diário, carrega otimismo. Afinal, ainda que enfrentando uma realidade inimaginável, Anne escreveu coisas como “Não é incrível que ninguém precise esperar o momento certo para começar a melhorar o mundo?”.

A partir destes testemunhos, a Casa de Anne Frank lança a campanha para combater o racismo, o ódio, o preconceito e o antissemitismo.

“The Bookcase for Tolerance” conta também com a participação do ator canadense Elliot Page, que, como um transgênero, defende mais aceitação e tolerância, e gravou a narração de um dos filmes da campanha, que você pode conferir aqui abaixo. “A estante servia para proteger. Mas também é um símbolo da educação. As pessoas precisam ser educadas a aceitar o diferente. Quanto mais você conhece o outro, menor as chances de odiá-lo. É aí que mora a intolerância: no medo do desconhecido.”, finalizou Wolff.

Para ver o  Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Ii_9aDfuomY

Para ver o ver o Teaser (narrado por Elliot Page) https://www.youtube.com/watch?v=FpyBv_4B7uE 

Para assistir ao curta/documentário sobre a Anne Frank feito a partir de frases encontradas no seu diário:  https://www.youtube.com/watch?v=qczALfqqWaQ
Para baixar o APP:
IOS (iphone): https://apps.apple.com/us/app/the-bookcase-for-tolerance/id1593885936

Android (google): https://play.google.com/store/apps/details?id=org.annefrank.thebookcasefortolerance

A campanha inteira pode ser acessada no site, que também está disponível em português: https://pt-br.thebookcasefortolerance.com