Por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e para marcar os 75 anos da libertação do Campo de Concentração de Auschwitz, em 27 de janeiro, federações judaicas vão promover cerimônias em diferentes estados. Acontecerão nos próximos dias atos em São Paulo, Brasília, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e Ceará.

Em São Paulo, a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Congregação Israelita Paulista (CIP), realizam no domingo, 26 de janeiro, às 18h30, na Sinagoga Etz Chaim da CIP, ato solene. Os seis milhões de judeus assassinados durante o Holocausto e as outras vítimas do nazismo serão lembradas com o acendimento de seis velas por sobreviventes, autoridades políticas, líderes religiosos, institucionais e jovens. Também haverá uma homenagem à sobrevivente do Holocausto Rachela Gotthilf, falecida em 2019. No hall da instituição, acontecerá a exposição “História e Memória do Holocausto”, com obras feitas por adolescentes que cumprem medida de internação no Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR-MG), com releituras de poemas e pinturas da época do Holocausto.

No Rio de Janeiro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio), o Consulado Geral da Alemanha no Rio de Janeiro e a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) realizam, no dia 28, às 18 horas, cerimônia no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro, restrita a convidados. Neste ano, o tema para a data é “75 anos depois de Auschwitz – Educação sobre o Holocausto e Memória para Justiça Global”. Está previsto o depoimento do sobrevivente do Holocausto Freddy Glatt e uma apresentação musical.

Em Curitiba, a Federação Israelita do Paraná, a Comunidade Israelita do Paraná, o Museu do Holocausto de Curitiba e a B’nai B’rith promovem ato solene, na terça dia 28, no Centro Israelita do Paraná. O encontro, que se inicia às 17h com uma rápida visita ao Museu, vai reunir sobreviventes e seus familiares, religiosos, diplomatas e lideranças políticas. A cerimônia começa às 17h30, na Sinagoga Beit Yaacov, e contará com o acendimento de seis velas, em homenagem aos seis milhões de judeus mortos no Holocausto. Foram convidados representantes do poder executivo, legislativo, judiciário, militar eclesiástico e corpo consular do Paraná.

A Federação Israelita do RS (Firs) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio Grande do Sul convidam para o ato em memória das vítimas do Holocausto, no dia 27, às 19h, no auditório da OAB- RS. O evento conta com a participação de três comissões da OAB: a Comissão de Direitos Humanos, Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra e a Comissão da Diversidade Sexual. O ato terá ainda a presença de dois sobreviventes do Holocausto e de netos de sobreviventes. Integrantes da Firs, da OAB-RS e das comissões integrarão uma mesa para pronunciamento e debate e ao final, com a presença de grupo inter-religioso, será feita uma reflexão para a paz e respeito à diversidade.

Em Belo Horizonte, a Federação Israelita do Estado de Minas Gerais realiza a cerimônia no auditório do BDMG. O ato contará com o depoimento de Henry Katina, sobrevivente do Holocausto, além da presença de autoridades. É preciso fazer inscrição pelo link.

A Associação Cultural Israelita de Brasília, Acib, e a Wizo Brasília promovem ato solene, na segunda-feira (27/1), no salão da ACIB. A cerimônia, ás 19h, contará com acendimento de velas, apresentação de vídeos alusivos à data, e a presença de descendentes dos sobreviventes e representantes das minorias que também foram vítimas do nazismo. São esperadas autoridades políticas e diplomáticas.

A Associação Israelita Catarinense e o Consulado Geral de Israel realizam a cerimônia solene no dia 29 de janeiro, às 19h, no Museu Histórico de Santa Catarina. Dois sobreviventes do Holocausto serão homenageados e seis velas serão acesas em memória dos 6 milhões de judeus que pereceram.

 

Em Fortaleza, a Sociedade Israelita do Ceará renderá tributo às vítimas do Holocausto nesta sexta, 24 de janeiro, às 19h, em cerimônia na sede da entidade. O ato solene contará com a presença da comunidade judaica, convidados e autoridades do Legislativo Estadual e Municipal. A cerimônia terá acendimento das velas, realização de preces e pronunciamentos de autoridades.

Em Recife,  a Federação Israelita de Pernambuco se agrega às demais comunidades judaicas pelo mundo na celebração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. No período de 27 a 31/01 a Sinagoga Kahal Zur Israel promoverá ações educativas vinculadas ao tema. No início do próximo mês, em parceria com a deputada Priscila Krause, haverá Sessão Solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco em homenagem a esta significativa data.

O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio), o Consulado Geral da Alemanha no Rio de Janeiro e a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) realizam no dia 28 de janeiro uma cerimônia para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O evento será às 18 horas no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro, restrito a convidados.

Neste ano, o tema para a data é “75 anos depois de Auschwitz – Educação sobre o Holocausto e Memória para Justiça Global”. Está previsto o depoimento do sobrevivente do Holocausto Freddy Glatt e uma apresentação musical.

Endereço: Centro Cultural da Justiça Federal no Rio de Janeiro Av. Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro

A função do Sonderkommando ou comandos especiais, unidades de trabalho formadas por prisioneiros selecionados para trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, inspira O Ovo de Ouro, com texto de Luccas Papp e direção de Ricardo Grasson. A peça estreia no dia 07 de Fevereiro,no Teatro Porto Seguro, onde segue em cartaz até 01 de Março.

Obrigados a tomar as atitudes mais atrozes para acelerar a máquina da morte nazista, esses prisioneiros conduziam outros judeus à câmara de gás, queimavam os corpos e ocultavam as provas do Holocausto. Quem se recusava a desempenhar esse papel era morto, quem não conseguia mais desempenhar a função, era exterminado com os demais.

“Ovo de Ouro surge da minha necessidade de não deixar morrer esse pedaço tão importante da História que é a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e o Holocausto. A ideia de escrever a peça surgiu em 2014, quando eu fui apresentado ao universo do Sonderkommando por meio de um pequeno artigo em uma revista. Essa figura do judeu que tem que auxiliar com o extermínio do próprio povo mexeu muito comigo e minha noção de humanidade, e me incentivou a tentar entender por que eles faziam isso, por que eles não se recusavam. Com este espetáculo temos a oportunidade de falar sobre Segunda Guerra sob o ponto de vista dessa figura pouco conhecida”, explica Luccas Papp.

Contada em diferentes episódios e tempos, a trama revela a vida de Dasco Nagy (Sérgio Mamberti), que foi Sonderkommando e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em cena, dois planos são apresentados – a realidade e a alucinação – para retratar a relação do protagonista Dasco Nagy quando jovem (Luccas Papp) com seu melhor amigo Sándor (Leonardo Miggiorin), com a prisioneira Judit (Rita Batata) e com o comandante alemão Weber (Ando Camargo). No presente, Dasco é entrevistado, já em idade avançada, por uma jornalista, narrando os acontecimentos mais horrorosos que viveu no campo de concentração e descrevendo a partir do seu ponto de vista os horrores e tristezas da Segunda Guerra Mundial.

O papel de Dasco é dividido pelos atores Sérgio Mamberti, que dá vida ao personagem no tempo presente/alucinação, e Luccas Papp, que o interpreta no passado/realidade, no plano da memória. “Talvez este seja um dos personagens mais desafiadores na minha carreira por uma série de fatores. Um deles é por representar o mesmo personagem que Sérgio Mamberti, o que é uma honra e uma responsabilidade muito grande. Segundo, é que ele é um sonderkommando vivendo situações de caráter tão absurdo. Eu preciso fazer com que o público acredite na realidade do que acontecia nos campos de concentração. Tenho que trabalhar com elementos obscuros no meu interior para trazer veracidade para essas situações. E como a peça é feita em ordem não cronológica – são nove cenas divididas entre passado e futuro – tenho que organizar minha cabeça para conseguir colocar a emoção certa na hora certa”, esclarece o ator e dramaturgo.

A dualidade interna entre ser obrigado a auxiliar na aniquilação de seu próprio povo e o medo da morte transforma o Sonderkommando em um complexo personagem a ser debatido. Nesse contexto são muitas as questões discutidas, desde o significado real de humanidade, o medo da morte, os limites da mente e da alma humana e a perda da própria identidade.

A dramaturgia foi inspirada em uma pesquisa sobre obras que discutiam os temas do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Entre elas, destacam-se os livros Sonderkomamando: No Inferno das Câmaras de Gás, de Shlomo Venezia, e Depois de Auschwitz, de Eva Schloss; e o filme O Filho de Saul, de László Nemes, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016.

Os ingressos podem ser adquiridos no link: https://bit.ly/2FALj1w