Celso Lafer e Marcelo Itagiba falam sobre a trajetória de suas famílias em evento promovido pela Conib pelo Dia Nacional da Imigração Judaica

Em live promovida pela Conib nesta quinta-feira (18) para marcar o Dia Nacional da Imigração Judaica, o professor Celso Lafer e o ex-deputado federal Marcelo Itagiba falaram sobre a história de suas famílias que vieram para o Brasil para escapar de perseguições em países europeus e aqui se fixaram, contribuindo para o desenvolvimento do país. Assista no Facebook ou no Youtube.

O encontro contou com a mediação da diretora da Conib, Mirella Radomysler e a abertura foi feita pelo presidente da instituição, Claudio Lottenberg. “Foram muitos os judeus que vieram para o Brasil, em diferentes épocas e de diferentes lugares – Bessarábia, Hungria, Rússia, Polônia, Alemanha, Líbano, Egito, Síria, Marrocos, Portugal, Espanha e outros. É importante lembrar que muitos foram para a Holanda e de lá vieram e se instalaram no nordeste junto com holandeses onde fundaram a primeira sinagoga das Américas – Kahal Zur Israel, no Recife”, lembrou Mirella.

Lottenberg destacou as presenças de Celso Lafer, “a grande referência intelectual de nossa comunidade”, e de Marcelo Itagiba, a quem elogiou por seu posicionamento contra a presença no Brasil do então presidente iraniano Mahmoud Ahamadinejad, um notório negacionista do Holocausto. “A iniciativa é importante porque retrata algo que nos é muito caro que é o fato poder vivermos em um país que nos deu a oportunidade de nos estabelecer e construir e reconstruir nossas vidas”, destacou Lottenberg.

Celso Lafer falou sobre a trajetória de sua família, vinda da Lituânia. “O primeiro a vir foi o Maurício Klabin, no início dos anos 1890. Veio como imigrante, sem recursos, e que com muito esforço, muito trabalho, teve sucesso. Foi então chamado toda a família para o Brasil”, contou.Lafer lembrou que Mauricio criou a conhecida empresa Klabin, onde as sucessivas gerações tiveram a oportunidade de se desenvolver.

Já a família de Marcelo Itagiba chegou ao país em dois momentos. Os Voloch vieram nos anos 1920, saindo da Romênia. E os Zaturansky, depois de deixarem a União Soviética, se estabelecerem na Alemanha, de onde rumaram para o Brasil nos anos 1930, por conta da ascensão do nazismo.

Autor da lei que instituiu o Dia Nacional da Imigração Judaica, Itagiba falou sobre a razão da iniciativa: “Várias outras correntes migratórias para o Brasil, têm a sua data nacional. Os italianos têm, os japoneses têm, para citar dois exemplos. Achei que a contribuição dos judeus para construção do nosso país é importante em todos os campos”, disse Itagiba, revelando ainda outra motivação “A principal, para mim, é a questão do quinto mandamento: Honrarás pai e mãe. Dessa forma, procurei honrar os meus antepassados e assim os antepassados de todos os judeus que sofreram todas as dificuldades para se fixar em um mundo novo. E aqui constituíram suas famílias, tiveram liberdade para seguir sua religião, para prosperarem e para contribuírem com o nosso Brasil”.

Durante a conversa de uma hora, falou-se sobre a diferença entre imigrantes e refugiados; da existência judaica na diáspora e da comunidade judaica brasileira; da banalização do Holocausto, entre outros temas. Ambos elogiaram a iniciativa da Conib em promover o evento como uma oportunidade para lembrar a luta e a coragem dos primeiros imigrantes que chegaram ao Brasil abrindo caminho para as novas gerações.

A conversa completa você pode ver aqui.