Celso Lafer recebe Prêmio Scopus da Universidade Hebraica de Jerusalém

A Sociedade Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém celebrou a entrega do Prêmio Scopus 2020 ao Prof. Dr. Celso Lafer, em São Paulo. O jantar reuniu notáveis, em prol dos estudos do cérebro liderados pela Universidade, fundada em 1925 por Albert Einstein e Sigmund Freud, entre outros.
Em seu discurso, Celso Lafer falou de sua experiência de vida múltipla, com passagens pelo mundo empresarial, pela vida pública e pela diplomacia, destacando como traço mais forte de sua trajetória o de professor universitário, atento à vocação interdisciplinar, da missão do ensino, da pesquisa e da extensão de serviços à comunidade.
“Foi o que norteou os meus 40 anos de magistério na Faculdade de Direito da USP, e também a minha ação no período em que presidi a FAPESP – a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo. Faço este registro porque foi a minha condição e vivência de professor universitário que motivou, no plano pessoal, meu apoio e grande apreço pela Universidade Hebraica de Jerusalém”, disse aos presentes.
“A UHJ iniciou suas atividades em Jerusalém no Monte Scopus, em 1925, e os seus patronos a conceberam como uma instituição que viesse a ser um locus no qual a universalidade do espírito humano pudesse manifestar-se e no qual seus estudantes e professores melhor serviriam à sua gente em convivência com os mais altos valores humanos. São as palavras de Einstein no seu artigo de 1925 intitulado “The Mission of Our University”, destacou Lafer.
“Em 2006 a UHJ concedeu-me um “honorary fellowship”. Motivou este alto reconhecimento universitário com referências à minha vida pública e diplomática, aos meus livros e a minha carreira universitária. Destacou a minha atuação em 2003 como amicus curiae no Supremo Tribunal Federal no caso Ellwanger, – um notório editor de Porto Alegre que se dedicou à denegação do Holocausto, à publicação de obras antissemitas e à defesa do nazismo. Creio que a minha atuação e o meu arrazoado de amicus curiae contribuíram para uma grande decisão do STF, liderado pelo seu então Presidente, o Ministro Maurício Corrêa. Nas deliberações do STF teve grande substância o voto do Ministro Nelson Jobim que recebeu o Prêmio Scopus em 2015. Este “leading case” subsumiu o antissemitismo como crime de prática do racismo e estabeleceu limites à liberdade de expressão em matéria de escritos de ódio. Numa época de antissemitismo montante e da propagação de escritos discriminatórios de ódio, a decisão do STF em 2003 é paradigmática. Por isso, creio que a minha atuação no caso foi uma contribuição, do professor de Direito que sou, à afirmação do princípio da igualdade e da não discriminação, base da tutela dos Direitos Humanos e no seu âmbito a especificidade da condição judaica no confronto com o antissemitismo, nele incluindo o antissionismo, os escritos de ódio, e a denegação da Shoá. Por isso tomo a liberdade de recordá-la ao receber o Prêmio Scopus 2020”.
Lafer, que integra o Conselho Consultivo da Conib, agradeceu a homenagem. “O prêmio Scopus 2020 é um kavod – que me foi concedido pelos Amigos Brasileiros da Universidade Hebraica de Jerusalém – que recebo hoje, com o coração e a razão, como um galardão muito especial”.
Entre os presentes estavam Didi Wagner, que foi a mestre de cerimônias, a presidente da Sociedade Amigos da UHJ no Brasil, Dora Brenner, o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, o presidente do Conselho Deliberativo do Einstein e do Conselho Consultivo da Conib, Claudio Lottenberg, o cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, o rabino Michel Schlesinger da CIP e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, Isabella Fiorentino, Gabriela Duarte, Helio Seibel, entre outros.