Cerimônia online reúne religiosos em preces pelas vítimas da pandemia

Uma cerimônia inter-religiosa promovida pela Conib, com transmissão online no Facebook e no Youtube para homenagear as vítimas da pandemia do novo coronavírus, reuniu na noite deste domingo (3) o Rabino Michel Schlesinger, o Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, a Monja Cohen, o Sheikh Mohamad Al Bukai, a Mãe Carmen de Oxum, o Pastor Marcos Ebeling e Flavio Rassekh, membro do colegiado nacional dos Bahai’s no Brasil.

Os religiosos rezaram pelas vítimas da pandemia, pelos infectados, agradeceram a todos que se encontram na linha de frente do combate à epidemia e pediram por mais união e solidariedade. O evento foi transmitido também pelas plataformas da CIP e das federações israelitas de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O ato contou com a apresentação do rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, CIP e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, e teve, na abertura, a participação do presidente da Conib, Fernando Lottenberg, que lembrou que um dos pilares de atuação da instituição é o diálogo inter-religioso. “Acreditamos que é por intermédio do diálogo que nos conhecemos, nos aproximamos, cuidamos das nossas diferenças e buscamos as convergências”, disse. Lottenberg explicou também, em sua mensagem, a razão da iniciativa, que obteve mais de 10,9 mil visualizações: “A pandemia colocou a todos nós na mesma situação. Sem nenhuma distinção, social ou religiosa. Estamos, sim, todos no mesmo barco. E o tema cuidar deve ser um dos grandes aprendizados nesse momento. Cuidar de si, com responsabilidade, e do outro com solidariedade e generosidade. Não sairemos iguais dessa situação. Espero que possamos sair melhores. Essa oportunidade chegou para todos de forma indistinta e, no final do dia, é o ser humano que importa. É o coletivo de seres humanos que faz a nossa sociedade evoluir, prosperar e aperfeiçoar a condição humana. Estamos todos reunidos e unidos com um único objetivo nesse momento: ajudar a quem precisa para que possamos sair brevemente dessa situação mais fortalecidos, como comunidade e como humanidade”.

O primeiro religioso a fazer a prece foi Marcos Ebeling, Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.Em sua oração, pediu por aqueles que estão com medo do vírus, da morte precoce, da fome e do desemprego e da morte sem uma despedida digna. Pediu pelos doentes, pelos que não encontram vagas em hospital, que não podem se despedir dos seus queridos que falecem. O pastor pediu também a D’us por “um governo bom, que cuide do seu povo, que mantenha e amplie as políticas públicas existentes para que sociedade possa minimamente funcionar e cuidar dos seus”.

Monja Coen Roshi, missionária oficial da tradição Soto Shu do Zen Budismo e primaz fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, destacou que é muito importante que possamos estar juntos, celebrando a vida, celebrando a transformação que acontece a cada instante. Orando para que que os médicos e cientistas possam encontrar logo as drogas que minimizem os sofrimento dos que foram contaminado, ela pediu também pelos que estão na linha de frente nos hospitais e pelos que já morreram. “Isso nos lembra que a nossa vida é terminal. Que a morte pode nos acontecer a qualquer momento. Você está pronto? Você está pronta? Você está vivendo o seu melhor, está sendo solidário com as questões do mundo, o que você tem a compartilhar?”, perguntou a monja, pedindo: “Vamos nos cuidar mutuamente”.

Sheikh Mohamad Al Bukai, Sheikh da Mesquita do Brasil, lembra que no mês do Ramadã, o profeta atende a uma súplica diária ao jejuador. A súplica do Sheikh voltou-se para as vítimas do coronavírus e para os doentes, para os médicos que estão na linha de frente. “Pedimos que D’us abençoe todos eles. E pedimos a todo Brasil que D’us nos livre dessa doença rapidamente”. O Sheikh recitou uma passagem da abertura do Corão que serve como cura e também é endereçada para os entes queridos que já deixaram essa vida.

Mãe Carmem de Oxum pediu aos Orixás que confortem as famílias e as almas do que já se foram. Pediu proteção aos profissionais que estão à frente no combate à pandemia. “Que todas as forças positivas só nos unam. Que haja solidariedade entre nós. Que haja o amor entre nós. Que as religiões de matriz africana, que todas religiões, numa união só, num sagrado só, abençoem a todos e a todas”, disse ela antes de finalizar com a sua oração.

Flavio Rassekh, do colegiado nacional dos Bahai’s no Brasil, falou de sua alegria em participar do ato e disse: “é uma benção especial poder imaginar um mundo onde todos os religiosos vão estar juntos, orando”. Ele citou um texto do fundador da fé Bahai, Bahá’u’lláh e um outro de seu filho, `Abdu’l-Bahá, que acredita que possam, de alguma forma servir como alívio para os outros. Ele lembrou dos profissionais da saúde, dos mais necessitados. “A gente acredita que a transformação passa por uma nova consciência global”.

Dom Odilo Scherer destacou a beleza do momento em que os religiosos estão juntos para expressar a solidariedade para com aqueles que estão doentes, aqueles que cuidam dos doentes e também os que não estão doentes. Antes de fazer a oração, dom Odilo disse em nome da comunidade católica: “Somos muito solidários com todas as famílias e com todos os que sofrem de diversas maneiras seja com a pandemia e de outras formas porque há muito sofrimento em meio ao nosso povo. Compartilhamos com todos também o medo, a angústia, muitas vezes quase o desespero de muitas pessoas que veem o chão sumir embaixo de seus pés”.

Finalizando o ato, o rabino Michel Schlesinger, iniciou assim sua prece: “Eloheinu veElohei Avotêinu veImotêinu, nosso Deus e Deus de nossos patriarcas e matriarcas. Mobilizado pelos preceitos éticos e religiosos da minha tradição, volto-me para Deus em busca de conforto e esperança.

Estamos preocupados com nossa sociedade. Ensina-nos, Deus, a transformar nosso pânico em paciência, e nosso medo em atos de generosidade. Sabemos que esta enfermidade está atingindo os mais vulneráveis com maior intensidade. Apoiados no princípio da Tzedaká, inspira-nos a realizar justiça social. Que os fortes saibam cuidar dos fracos, que os jovens apoiem os idosos, que aqueles que estão em situação de maior conforto possam auxiliar aqueles que mais precisam. Ajude cada um de nós a fazer a sua parte para impedir a propagação deste vírus.” O rabino ainda desejou que a religião e a ciência sejam aliadas na defesa da saúde da vida.

A iniciativa repercutiu na imprensa, sendo objeto de matéria no Bom dia SP, na IstoÉ Dinheiro, G1, Novo Cantu, UOL, EBC, Agência Brasil, Mixvale, Dinheiro Rural, O Bom da Notícia e Poliarquia.