Chefes de segurança israelenses avaliam que o Irã não deve atacar Israel em eventual ação de represália aos EUA

Autoridades israelenses de defesa avaliaram que é improvável que o Irã ataque Israel em retaliação à ação dos EUA que matou o general Qassem Suleimani no Iraque, na semana passada.

A avaliação foi apresentada em reunião do gabinete de segurança. Vários cenários foram apresentados sobre a possível resposta do Irã ao ataque americano, com autoridades de segurança dizendo que as chances de um ataque a Israel são baixas.

Um alto funcionário disse nesta segunda-feira: “Israel não esteve envolvido no assassinato e não há razão para que ele seja arrastado”.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse aos ministros que eles podem falar sobre o assassinato, mas que sejam cautelosos e se concentrem no apoio de Israel aos EUA, informou a Canal 12.

A embaixada dos EUA em Israel, no entanto, divulgou nesta segunda-feira um comunicado recomendando cautela a seus cidadãos que viajam para Israel e para que evitem ir à Cisjordânia e Gaza. O comunicado foi divulgado diante da possibilidade de o Irã visar locais dos EUA no Oriente Médio em retaliação ao ataque que matou Suleimani. “A Embaixada recomenda aos cidadãos dos EUA a permanecerem vigilantes e a tomar as medidas apropriadas para aumentar sua segurança, já que incidentes, como o lançamento de foguetes, geralmente ocorrem sem aviso prévio”, diz o comunicado.

A embaixada afirma que continuará analisando a situação e fornecendo mais informações conforme for necessário.

No domingo, três foguetes caíram dentro da Zona Verde, altamente fortificada, em Bagdá, no Iraque, sede da embaixada dos EUA e do governo do Iraque, disseram moradores da cidade. O ataque marcou a 14ª vez que foguetes foram lançados contra instalações dos EUA no Iraque nos últimos dois meses.

Um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou que Tel Aviv também poderia ser alvo, enquanto um ex-chefe do IRGC ameaçou transformar as cidades israelenses em “pó” se os EUA atacarem alvos no Irã.

Hassan Nasrallah, líder da organização terrorista Hezbollah, apoiada pelo Irã, convocou neste domingo as milícias xiitas para atacar ativos militares dos EUA em todo o Oriente Médio – incluindo atentados suicidas – e previu que os americanos deixem a região em “caixões”, levando “sionistas” com eles.

O major-general Herzi Halevi, chefe do Comando Sul das IDFs, disse ontem que o episódio faz parte do conflito entre o Irã e os EUA. por influência no Iraque.

“Suleimani feriu os interesses americanos e representou um perigo significativo para os americanos na região. Devemos considerar o assassinato como parte de uma luta entre o Irã e os Estados Unidos por influência no Iraque. Essa é a história”, disse Halevi.
“O assassinato também tem ramificações para nós, como israelenses, e devemos acompanhar a situação de perto, mas não fazemos parte da história principal – e é bom que isso tenha acontecido muito longe daqui”, disse ele.

Halevi disse que Israel está pronto para lançar uma “reação muito significativa” se a retaliação da República Islâmica incluir operações de seus aliados palestinos, como a Jihad Islâmica Palestina, com sede em Gaza.

Também nesta segunda-feira, um dos principais think tanks de segurança nacional de Israel alertou que há um risco crescente de uma guerra em larga escala ao longo das fronteiras do norte de Israel no próximo ano, em parte devido à crescente “determinação e ousadia” do Irã.

Os analistas do INSS determinaram que, embora os inimigos de Israel não pareçam estar interessados em um conflito de larga escala no momento, existem “fatores que podem levar à possibilidade de um conflito ocorrer em 2020”.