CJM lembra o pogrom de Kielce – há 74 anos

O Congresso Judaico Mundial (CJM) lembrou no Twitter o episódio do dia 4 de julho de 1946, quando a cidade polonesa de Kielce foi palco de um violento pogrom. A sede da comunidade judaica foi atacada por uma multidão de civis, policiais e militares, que massacraram, em plena luz do dia, 42 judeus – homens, mulheres e crianças – e feriram mais de 100. Depois disso estava claro que não havia futuro para os judeus na Polônia.

Passados 74 anos, o Pogrom de Kielce, a mais sangrenta das manifestações antissemitas ocorridas em solo polonês, no pós-guerra, ainda é um capítulo obscuro na longa e sofrida história dos judeus na Polônia. Nos últimos anos, historiadores e pesquisadores têm resgatado inúmeros documentos e testemunhos, mas apesar disso ainda há muitas perguntas sem resposta. Não é apenas o Pogrom de Kielce que tem sido alvo de pesquisa por parte de historiadores, mas toda a atuação da Polônia durante a 2ª Guerra, sua participação no Holocausto e o antissemitismo do pós-guerra.

A posição do atual governo é isentar o país de qualquer culpa no que diz respeito à Shoá, afirmando que a Polônia foi vítima inocente dos alemães e não cúmplice e, tampouco, um espectador complacente da política antissemita nazista que levou ao assassinato de milhões de judeus. Porém, não há como refutar que foi a Polônia, sob domínio alemão, que os nazistas escolheram para estabelecer seus campos de extermínio: Chelmno, Belzec, Sobibor, Treblinka, Auschwitz-Birkenau, Majdanek. Foi para a Polônia que foram enviados os trens carregados de judeus de toda a Europa. Foi em solo polonês que mais de 3 milhões de judeus foram assassinados e incinerados em câmaras de gás e que centenas de milhares morreram por brutalidade, fome e inanição. Tampouco há como refutar que, após o final da guerra na Europa, e, transcorrido um ano sem nenhum soldado alemão em solo polonês, centenas de judeus, ainda assim, foram assassinados na Polônia e milhares mais enfrentaram o perigo quando voltaram a suas cidades e seus vilarejos. A violência contra os judeus atingiu o clímax em 4 de julho de 1946, em Kielce.