Coalizão minoritária com o apoio da Lista Conjunta árabe é a única alternativa à 4ª eleição, diz Lapid

O número 2 do Azul e Branco, Yair Lapid, defendeu hoje a formação de uma coalizão com a Lista Conjunta árabe como única forma de se evitar uma quarta eleição em Israel. “Não é o governo que gostaríamos, mas essa é a única forma de se evitar outra votação nacional, o que seria uma catástrofe para o país”, disse ele em postagem no Facebook.

Nem o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nem o Azul e Branco, de Benny Gantz, conseguiram a maioria de cadeiras do Knesset nas eleições do dia 2, e nenhum deles tem um caminho claro para a formação de uma coalizão majoritária. Com o apoio de partidos religiosos, o primeiro-ministro conta com 58 das 120 cadeiras no Knesset. Mas se o Yisrael Beytenu (Israel Nossa Casa), de Avigdor Lieberman, com sete cadeiras, e a Lista Conjunta árabe, que conquistou 15 assentos, recomendarem ao presidente Reuven Rivlin que o líder do Azul e Branco, Benny Gantz, forme a nova coalizão, este teria o apoio de 62 parlamentares.

Antes da rodada de recomendações ao presidente, Gantz manifestou interesse em formar um governo com o Yisrael Beytenu, com o Labor-Gesher-Meretz e com os parlamentares árabes. As declarações de Lapid hoje vêm confirmar essa possibilidade.

Mas esse apoio ainda é incerto, uma vez que alguns dos membros mais direitistas do partido de Gantz rejeitaram essa possibilidade e ainda não se sabe se a Lista Conjunta e o Azul e Branco chegariam a um acordo.

Uma das demandas anteriormente apresentadas pelo bloco árabe foi a rejeição de Gantz ao plano de paz do governo Trump que o líder do Azul e Branco havia endossado.

“Ao contrário das mentiras que Bibi (Netanyahu) está divulgando, a Lista Conjunta (ainda) não decidiu fazer parte deste governo”, escreveu Lapid hoje. “Eles vão discutir a proposta (para apoiar o governo) e aí sim, terminará”.

Netanyahu “já cooperou com eles (a Lista Conjunta) mil vezes antes. Eu admito que este não é o governo que gostaríamos, mas é preferível ao atual impasse. Esse governo poderia definir um orçamento, os ministérios voltariam ao trabalho, os comitês do Knesset abririam, ajudaremos as pequenas empresas e impediremos demissões em massa”, acrescentou.

O Likud tentou definir a Lista Conjunta como ‘fora dos limites da política israelense’, chamando seus membros de “apoiadores do terror” e citando sua oposição ao sionismo e outras posições anti-Israel de membros do Balad, uma das facções que formam o bloco árabe.

O líder do Balad, Mtanes Shihadeh, disse hoje que recomendaria que a Lista Conjunta se abstenha de apoiar qualquer candidato a premier em suas consultas com o presidente. Ele disse à rádio Voice of Palestine que a Lista Conjunta estava aguardando um convite formal de Gantz e que até isso acontecer nenhuma negociação será feita.

Os legisladores árabes de Israel se recusam há muito tempo a ingressar em um governo por motivos ideológicos, enraizados no apoio aos palestinos. Sob seu atual líder, Ayman Odeh, no entanto, segmentos da Lista Conjunta aparentemente reduziram sua resistência a essa parceria. Após as eleições anteriores, de setembro, o partido apoiou Gantz pela liderança, rompendo com sua recusa de longa data de endossar candidatos a primeiros-ministros.