Colégios vão receber filhos de profissionais de saúde do Hospital Albert Einstein

Escolas particulares de elite vão receber filhos de médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital Albert Einstein, enquanto os pais trabalham. A instituição procurou colégios no entorno porque percebeu a necessidade dos funcionários durante a pandemia de coronavírus, já que todas as instituições de ensino estão fechadas. O Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, foi o primeiro a aceitar a parceria e já começa a receber crianças nesta quarta-feira.

O Einstein questionou os funcionários sobre o interesse e cerca de 300 alunos, entre 3 e 13 anos, foram inscritos. Voluntários que estão sendo recrutados pelo hospital – e não professores do colégio – vão promover atividades como artes, leituras, teatro e educação física, mas sem contato. Eles ficarão na instituição exatamente durante o turno de trabalho dos pais, pela manhã ou pela tarde. O Porto Seguro também já aceitou participar em uma segunda fase do projeto.

Movimentos juvenis judaicos apoiaram a iniciativa.

As crianças vão ficar em um espaço de 60 mil metros quadrados, que normalmente abriga mais de 1500 alunos, com quadras esportivas, parques, parquinhos, mini cidades para os mais novos. O Einstein vai fornecer materiais escolares e brinquedos para as atividades para que não sejam utilizados os da escola. Eles serão desinfectados diariamente e os alunos com sintomas de gripe não poderão participar.

“Estamos recebendo muita oferta de ajuda, de pessoas, de pais de várias escolas, de doação de brinquedos”, diz o diretor de ensino do hospital, Felipe Spinelli de Carvalho. De acordo com ele, as salas serão divididas por idade, com no máximo dez crianças, e cuidado para que não haja contato entre elas.

Haverá também cinco refeições, bancadas pelo hospital, e momentos destinados às atividades à distância enviadas pelas escolas que os alunos frequentam. São crianças e adolescentes que cursam normalmente tanto escolas públicas quanto privadas. As menores de 3 anos continuarão na creche do hospital, que teve autorização do governo para continuar funcionando. “A ideia é evitar o burnout desses funcionários durante a crise. São pais e mães que ambos trabalham na saúde, mães solteiras ou outros que não têm apoio familiar e amigo que possa ajudar”.

O Miguel de Cervantes fica a pouco mais de 1 quilômetro do Einstein e é ligado ao governo da Espanha. O colégio anunciou a parceria nesta terça-feira, embora tenha havido preocupação por parte de grupos de pais. Alguns chegaram a questionar o risco de utilizar as instalações depois que a crise passar.

A diretora geral da escola Lourdes Ballesteros diz, no entanto, que a maioria apoiou a iniciativa. “É um compromisso social, a crise é mundial, não podíamos dizer não. Estamos felizes em ajudar essas famílias”. Na Europa também há iniciativas semelhantes de grupos que têm se organizado para cuidar dos filhos de profissionais da saúde.