Com 7 mil novos casos de Covid-19, Israel se prepara para endurecer bloqueios

O Ministério da Saúde de Israel informou na manhã desta quarta-feira que 6.923 novos casos de Covid-19 foram diagnosticados no país no dia anterior – um aumento recorde de infecções – e que o gabinete de crise do coronavírus deve se reunir ainda hoje para endurecer as medidas do bloqueio nacional.

Outras 31 mortes aumentaram o número de mortos para 1.316.

Os últimos números elevam o total de casos confirmados desde o início do surto para 200.041 – apenas um mês depois que o país atingiu 100.000 casos.

Até a manhã desta quarta-feira havia 634 pacientes em estado grave, incluindo 171 em ventiladores, e 266 pessoas classificadas em estado moderado. O restante tem sintomas leves ou nenhum sintoma.

O ministério anunciou um recorde de 61.165 testes realizados nesta terça-feira (22) com uma alta taxa de resultados positivos – cerca de 11 por cento.

Além disso, 4.331 médicos estavam isolados – o ministro da Saúde, Yuli Edelstein, e o diretor-geral do ministério, Chezy Levy, determinaram o recrutamento imediato de paramédicos para dar suporte em hospitais.

Em uma entrevista nesta manhã, o secretário nacional do coronavírus Ronni Gamzu disse que a população ainda não está cooperando totalmente com as novas restrições. “Em termos de morbidade, vemos que há 6.700 novos casos verificados e, claro, este é um número que não está relacionado ao bloqueio, mas ao período anterior”, disse Gamzu à Rádio Jerusalém. “Deve-se notar que atualmente não vemos a cooperação total do público – nem do público ultraortodoxo, nem do público secular. Também vimos certas violações das diretrizes e isso requer um maior rigor”.

Fontes próximas a Gamzu disseram ao site de notícias Ynet que os níveis de teste estavam muito altos porque as pessoas correram para serem verificadas após o feriado de Rosh Hashanah.

O vice-ministro da Saúde, Yoav Kisch, disse esperar que as regras sejam severamente endurecidas após o Iom Kipur, em 28 de setembro.

“As estruturas educacionais serão fechadas, a economia estará na marcha mais baixa possível apenas com trabalho vital, sinagogas permanecerão fechadas e não serão permitidos deslocamentos entre as cidades. Isso é o que é necessário agora para reduzir a mortalidade”, disse Kisch ao Canal 12.

Espera-se que o gabinete do coronavírus adote um plano para limitar as manifestações de protesto e para que os serviços de oração sejam organizados por uma força-tarefa interministerial composta por funcionários designados pelo governo e da área da saúde.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticou as manifestações semanais contra ele como um perigo para a saúde na reunião de gabinete do coronavírus desta terça-feira, durante a qual os ministros não conseguiram chegar a um acordo sobre medidas de bloqueio mais restritivas para limitar as manifestações e as orações públicas.

Embora as orações fechadas tenham sido reduzidas e possam enfrentar restrições ainda mais rígidas, os protestos ao ar livre tiveram permissão para continuar com poucos limites, levando alguns a questionar as diretrizes.

Os protestos, realizados várias vezes por semana diante da residência de Netanyahu, em Jerusalém, não foram limitados, apesar do bloqueio que começou na sexta-feira (18). O procurador-geral estabeleceu regras de distanciamento para os manifestantes, mas as medidas não chegaram a ser implementadas durante o protesto de domingo à noite, que atraiu milhares.