Com doses enviadas por Israel, palestinos começam a vacinar equipes médicas

A Autoridade Palestina (PA) começou a vacinar nesta terça-feira as equipes médicas que atuam na linha de frente contra a Covid-19, com a chegada do primeiro lote de vacinas enviadas por Israel, segundo informou o Ministério palestino da Saúde.

“Começamos a vacinar nossas equipes médicas, primeiro àqueles que atuam em unidades de terapia intensiva, já que estão na primeira linha de frente e enfrentam o coronavírus diretamente”, disse a ministra da Saúde da PA, Mai al-Kaila, em entrevista à mídia oficial palestina.

Al-Kaila não mencionou de onde vieram as 2.000 vacinas da Moderna. Mas, de acordo com o governo israelense, as doses foram enviadas por Jerusalém na segunda-feira.

Embora Israel tenha disparado à frente na vacinação de seus cidadãos – até este domingo cerca de 32 por cento dos israelenses já tinham recebido pelo menos uma das duas doses da vacina contra o coronavírus – os palestinos começaram agora a vacinar profissionais de saúde.

O forte contraste entre a velocidade da vacinação de Israel e a campanha de imunização palestina gerou apelos para que Israel fornecesse vacinas aos palestinos.

Grupos de direitos humanos já haviam criticado Israel por não fornecer vacinas contra o coronavírus aos palestinos na Cisjordânia e em Gaza.

Israel contesta as críticas e argumenta que há acordos bilaterais que preveem a responsabilidade da AP por imunizações.

O Coordenador de Atividades do Governo nos Territórios (COGAT) – órgão que faz a ligação militar de Israel com os palestinos – disse na segunda-feira que transferiu 2.000 vacinas contra o coronavírus para profissionais de saúde palestinos através do posto de controle Beitunia ao sul de Ramallah. Outras 3.000 doses seriam transferidas “em breve”.

O Ministério palestino da Saúde confirmou o recebimento das 2.000 doses da vacina Moderna, mas sem mencionar que foram enviadas por Israel.

Ramallah espera começar sua principal campanha contra o coronavírus em meados deste mês, com a chegada de 50.000 doses de vacinas de várias fontes, disse o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammad Shtayyeh, na segunda-feira.

A Autoridade Palestina fechou contrato com outras quatro empresas – Moderna, AstraZeneca e com a China e a Rússia.

A maioria das vacinas previstas para chegar neste mês de fevereiro, no entanto, vem de um programa da Organização Mundial da Saúde conhecido como COVAX, que visa aumentar o acesso às vacinas contra o coronavírus para países de baixa e média renda. O programa pretende vacinar até 20% da população palestina gratuitamente.

A COVAX anunciou na segunda-feira que cerca de 37.440 doses da vacina Pfizer foram aprovadas para “distribuição a partir de meados de fevereiro” para os palestinos, enquanto se aguardam outras aprovações e acordos com os fabricantes. As primeiras doses serão dadas a profissionais de saúde.

Espera-se que entre 240.000 e 405.600 doses da vacina AstraZeneca cheguem ao território palestino até o final de fevereiro, dependendo das aprovações dos fabricantes e da OMS, disse o organismo internacional na segunda-feira.

Al-Kaila disse que as vacinas também serão enviadas para a Faixa de Gaza. Autoridades de saúde em Ramallah têm prometido sistematicamente que todas as vacinas que chegarem à Cisjordânia serão distribuídas igualmente por todos os territórios palestinos.

O envio de vacinas para Gaza é polêmico entre os israelenses. Alguns pediram a suspensão de vacinas em Gaza, que é governada pelo grupo terrorista Hamas, até que o Hamas devolva prisioneiros israelenses e os corpos de dois soldados israelenses, Hadar Goldin e Oron Shaul.

Um oficial de segurança israelense disse ao The Times of Israel sob condição de anonimato que as vacinas não seriam transferidas para Gaza neste estágio, mas que nenhuma ordem direta havia sido emitida pelo escalão político para transferir vacinas ou não. O funcionário disse que a Autoridade Palestina ainda não apresentou um pedido formal de envio de vacinas de Ramallah para Gaza.

No entanto, as autoridades de saúde de Gaza começaram a preparar sua campanha de vacinação na segunda-feira, lançando um aplicativo no qual os residentes do território podem se registrar para vacinação.

“Espera-se que a vacina chegue à Faixa de Gaza em um futuro imediato. A quantidade esperada é de cerca de 15.000 doses, e profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças crônicas serão priorizados”, disse o oficial de saúde do Hamas, Majdi Dahir, em comunicado.

Foto: WAFA