Com número de mortes por Covid-19 perto de 5 mil, Israel vai decidir hoje se mantém bloqueio

A reunião do governo marcada para discutir os próximos passos no combate à pandemia de coronavírus foi remarcada para a tarde desta quinta-feira, após ter sido adiada duas vezes no dia anterior, diante de disparidades significativas nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde sobre a taxa de vacinação em diferentes partes do país.

Israel está atualmente sob um bloqueio total, que deve terminar às 7h00 desta sexta-feira.

Forças políticas no governo estão em desacordo há dias sobre as próximas medidas a serem adotadas, enquanto o número de mortos por coronavírus se aproxima de 5.000.

Cerca de 7.385 novos casos do vírus foram diagnosticados nesta quarta-feira. De mais de 85.000 testes, cerca de 8,9% apresentaram resultado positivo. Ambos os números marcam uma redução em relação ao dia anterior. Desde o início da pandemia, 4.947 morreram em consequência da doença, 59 dos quais nas últimas 24 horas.

Existem 76.896 casos ativos no país. Cerca de 1.768 pacientes estão hospitalizados e 1.103 pacientes em estado grave, 315 dos quais estão intubados.

Na manhã desta quinta-feira, a vacinação foi aberta para todos os israelenses com mais de 16 anos. Até agora, 3.298.233 indivíduos receberam a primeira dose, enquanto 1.906.942 receberam as duas.

No geral, cerca de 35% da população do país já foi vacinada, mas enquanto em Tel Aviv, Haifa e Beersheba mais de 40% dos residentes foram vacinados, em várias outras cidades a adesão da população à vacinação foi fraca: em Jerusalém apenas 21% dos moradores receberam pelo menos uma dose, em Bnai Brak 15%.

Embora a taxa de infecção continue alta, as autoridades disseram que estão dispostas a começar a abrir o país devido ao impacto social e econômico que a pandemia está causando.

Apoiado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Ministério da Saúde disse que pressionará os demais membros do governo para manter o país em seu atual bloqueio até domingo à meia-noite. Em seguida, as autoridades de saúde devem apresentar um plano que defina em etapas as medidas a serem mantidas nas cidades vermelhas e laranjas e nas amarelas e verdes.

Em áreas com menos infecção, o Ministério da Saúde deve concordar em retirar o limite de deslocamento das pessoas a apenas até 1000 metros da residência no domingo, permitir a retomada dos serviços individuais, bem como a abertura de pousadas e parques nacionais.

De acordo com o plano original do Ministério, pré-escolares, alunos do jardim de infância, da primeira à quarta série e da 11ª e 12ª séries voltariam para a escola no domingo nas cidades amarelas e verdes.

O Ministério está analisando como lidar com escolas nas cidades laranja e vermelha. Uma ideia seria lançar o programa piloto de testes em várias escolas de segundo grau no início deste ano nessas áreas. Isso significaria testar alunos e professores várias vezes por semana para manter a infecção fora das salas de aula.

Membros do Ministério, no entanto, se reuniram nesta quinta-feira pela manhã e fontes disseram que qualquer decisão final seria acordada entre os ministérios da Saúde e da Educação, incluindo a data final de aberura das salas de aula.

Se as escolas nas áreas vermelha e laranja permanecerem fechadas, isso significa que cerca de 60% dos alunos continuariam tendo aulas online em casa.

As cidades amarelas e verdes não são muitas e não são grandes, de acordo com o Ministério. Por outro lado, algumas das maiores cidades do país são vermelhas e laranja, como Jerusalém e Tel Aviv.

Em qualquer cenário, os encontros serão limitados a 10 pessoas em áreas externas e cinco pessoas em locais fechados, como estão agora.

Os ministros do Azul e Branco se opõem a vários aspectos do plano do Ministério e disseram que planejam votar pela abertura nesta sexta-feira.

De acordo com o plano do partido, o limite de circulação além de 1000 metros será retirado nesta sexta-feira de manhã, e alguns serviços serão retomados. Algumas pousadas também já estariam abertas.

No domingo, seriam retomadas as demais atividades ainda não abertas ao público, assim como os esportes profissionais. As reservas naturais e os parques nacionais também seriam reabertos ao público.

No plano do partido Azul e Branco, a educação infantil seria retomada integralmente no domingo.

O governo também deve discutir se mantém ou não o fechamento das fronteiras e dos aeroportos, que expira no domingo.

No momento, os israelenses não podem entrar ou sair dos países em que estão, exceto em circunstâncias urgentes e muito específicas e com uma autorização de um comitê governamental recém-formado.

Uma petição para permitir que israelenses retidos no exterior voltem para casa, independentemente de circunstâncias, foi apresentada ao Tribunal Superior de Justiça nesta quarta-feira.

Foto: MARC ISRAEL SELLEM/THE JERUSALEM POST