Com relatos tocantes de sobreviventes, Conib lembra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Com uma cerimônia tocante, transmitida em suas páginas do Facebook e do Youtube, a Conib lembrou nesta quarta (27) o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Conduzido pelo ator Dan Stulbach, o ato que prestou tributo aos seis milhões de judeus e outras minorias vítimas do nazismo, contou com os emocionantes depoimentos de seis sobreviventes de diferentes regiões do Brasil. Chaja Nacha Lassman, Ellen Rahel Botler, Isidoro Dickstein, Heinz Walter Grosz, Adlena Maria Smilg, Leon Menache e Kiwa Kozuchowicz contaram, em relatos pungentes, parte dos horrores que viveram, como conseguiram escapar e lembraram familiares, parentes queridos, que morreram. Eles também acenderam as seis velas em memória das seis milhões de vidas ceifadas. A solenidade, que contou com o apoio institucional da Embaixada de Israel no Brasil e do Consulado Geral de Israel em São Paulo, está disponível na página da Conib no YouTube.

O presidente da Conib, Claudio Lottenberg, disse a todos que o “Holocausto não afundará no buraco negro da história, ele está aqui conosco, queimando quase e como algo real”. Em seu discurso, Lottenberg lembrou os mortos, os talentos e vidas ceifados, falou sobre a necessidade de estarmos atentos, chamou a atenção para a progressão de grupos extremistas no mundo, do crescimento da intolerância também nas redes sociais. E afirmou: “Nós judeus do Brasil não aceitamos qualquer tipo de intolerância. E lutaremos sempre, alicerçados pela democracia ampla e pela total liberdade de existência, pelo respeito da convivência pacífica e pela aceitação por parte de um mundo que deve pautar pelo entendimento”.

Também falaram no evento, que teve por tema o recrudescimento do neonazismo, o presidente da Sociedade Beneficente Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner, que falou da solidariedade judaica e da atuação do Einstein no combate à Covid-19, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que alertou para o crescimento do antissemitismo e da importância de se preservar a memória do Holocausto e honrar os que pereceram; o cônsul de Israel em São Paulo, Alon Lavi, que contou ter um avô que sobreviveu ao Holocausto e frisou ser necessário lembrar a data, suas lições e trabalhar juntos para que nunca mais se repita; e o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que lembrou os brasileiros Luiz Martins de Souza Dantas (1876-1954) e Aracy Guimarães Rosa (1908-2011), que, contrariando ordens superiores, ofereceram vistos a judeus, e foram reconhecidos como “Justos entre as Nações”. A ministra da Diáspora de Israel, Omer Yankelevich, destacou que neste momento, em que são poucos os sobreviventes que permanecem entre nós, é dever de todos ouvir e compartilhar suas histórias.

A solenidade ainda contou com um bloco de entrevistas liderado pelo jornalista Ricardo Lessa. Os entrevistados foram o caçador de nazistas do Simon Wiesenthal Center, Efraim Zuroff; o diretor fundador do Instituto de Estudos do Holocausto em Washington, Rafael Medoff, e a diretora do Centro de Estudos Sociais da Daia (Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas), Marisa Braylan. As conversas giraram em torno do negacionismo do Holocausto, classificado como uma forma de antissemitismo, os dois atentados sofridos na Argentina – em 1992, na embaixada de Israel, e em 1994, na organização judaica AMIA -, a diferença entre o antissemitismo atual e o europeu dos anos 30 e 40 do século XX, da internet, como terreno fértil para extremistas, da necessidade de uma educação ainda melhor sobre o Holocausto.

A parte litúrgica foi conduzida pelos rabinos Yossi Schildkraut, Michel Schlesinger, Toive Weitman e pelo cantor litúrgico Avi Bursztein, que rezou o Kaddish (a reza dos mortos).

Ao final, foi exibido o vídeo da campanha da Conib contra a banalização do Holocausto.

Confira as fotos do evento: