Comitê-chave do Knesset aprova emenda para adiar novas eleições

Um importante comitê do Knesset aprovou uma proposta na manhã desta segunda-feira que prevê o adiamento do prazo para a votação do orçamento de Estado, evitando, com isso, a ameaça de convocação de novas eleições após uma série de disputas políticas entre o Likud e o partido Azul e Branco.

O Comitê de Finanças do Knesset aprovou a medida para uma segunda e terceira leituras no plenário após uma sessão que durou a noite toda. Se passar nas duas leituras do Knesset, como esperado,a medida vai adiar o prazo orçamentário em 120 dias, atrasando a possibilidade de os israelenses irem às urnas pela quarta vez desde abril de 2019.

Se o Knesset não conseguir aprovar o projeto de lei de adiamento, patrocinado pelo parlamentar Zvi Hauser do Derech Eretz, até segunda-feira à noite, o governo cairá automaticamente e novas eleições serão definidas.

A votação aconteceu depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse no domingo que aceitaria a proposta de compromisso.

“Por responsabilidade nacional, decidi aceitar a proposta de compromisso do parlamentar Hauser”, disse ele em conferência de imprensa no seu gabinete, em Jerusalém.

“Esta proposta permite o fluxo imediato de fundos para os cidadãos e para a economia e evita a necessidade de eleições”, disse Netanyahu.

Em resposta, o Azul e Branco emitiu um comunicado dizendo que a aplicação da medida depende das ações de Netanyahu e instando-o a “manter sua promessa, evitar eleições e cumprir o acordo”, em referência ao pacto de coalizão entre os partidos.

O Canal 12 informou que Azul e Branco ainda não estava totalmente convencido de que Netanyahu realmente garantirá o fim da crise eleitoral. As autoridades disseram è emissora que o partido só acreditará nisso se e quando a votação final que adia o orçamento for aprovada, o que deve ocorrer antes da meia-noite da próxima segunda-feira.

Hauser, por sua vez, disse que estava “feliz em saber” que Netanyahu aceitou sua proposta.

As divergências giram em torno de um orçamento que inclua o ano de 2021, conforme estipulado no acordo de coalizão e apoiado pelo ministro da Defesa, Benny Gantz, o líder Azul e Branco, ou um orçamento que cubra apenas o resto de 2020 , como quero Likud, de Netanyahu, que insiste na questão alegando incerteza causada pela pandemia.

O Azul e Branco acusou Netanyahu de tentar violar deliberadamente o acordo de coalizão com sua demanda para evitar ter que entregar o cargo de primeiro-ministro a Gantz em novembro de 2021, conforme estipula o acordo de coalizão.

Netanyahu também está exigindo maior poder sobre as nomeações de alto escalão, inclusive dos principais encarregados da aplicação da lei, incluindo o próximo promotor estadual, em violação dos acordos anteriores. Em resposta a uma pergunta na noite de domingo, ele disse que não tinha intenção de tentar nomear um novo comissário de polícia e um novo promotor.

Ao dizer na coletiva de imprensa que era “hora de unidade e não de eleições”, Netanyahu acusou seus parceiros do Azul e Branco de agirem como um “governo dentro do governo” e repetiu uma alegação infundada de que um processo criminal contra o Ministro da Justiça Avi Nissenkorn foi fechado secretamente pelo procurador-geral Avichai Mandelblit, a quem o primeiro-ministro e seus aliados frequentemente criticam por indiciá-lo em uma série de casos de suborno. Se tal caso envolvesse um político de direita, disse Netanyahu, estaria em toda a mídia.

Nissenkorn tuitou em resposta: “A campanha oportuna de incitamento e mentiras não vai me deter. Vou continuar a proteger o Estado de Direito e a democracia israelense”.

Netanyahu disse que os líderes israelenses precisam “trabalhar juntos” para enfrentar os desafios, incluindo a batalha contra a Covid-19 e suas consequências econômicas, frustrando o Irã em seu expansionismo, reforçando a segurança e concluindo outros acordos de normalização com os países árabes. “Vamos nos unir e trabalhar juntos por essas metas importantes”, disse ele.