Comunidade judaica dos Emirados Árabes Unidos comemora acordo e a liberação dos voos diretos

A pequena comunidade judaica dos Emirados Árabes Unidos saudou o acordo histórico entre Jerusalém e Abu Dhabi para formalizar as relações, elogiando o Estado do Golfo Árabe por seu pluralismo e tolerância religiosa.

“Entre outras coisas, isso permitirá que os israelenses visitem os Emirados Árabes Unidos e compartilhem nossa experiência diária de tolerância e pluralismo que caracterizam os Emirados Árabes Unidos”, disse em nota o Conselho Judaico dos Emirados (JCE), grupo representativo da comunidade judaica do país.

“Estou comovido com as muitas mensagens de esperança que recebi de amigos dos Emirados de nossa comunidade ao ouvir esta notícia”, disse o presidente da JCE, Ross Kriel.

“O anúncio reflete o quanto os Emirados Árabes Unidos demonstraram coragem e pragmatismo sustentados na busca de oportunidades de paz e desenvolvimento econômico na região. Os membros da nossa comunidade estão ansiosos com o estabelecimento dos voos diretos para Israel e com a possibilidade de receber amigos e visitantes israelenses nos Emirados Árabes Unidos”.

O rabino Yehuda Sarna, rabino-chefe não residente do JCE, elogiou o príncipe Mohammed bin-Zayed por sua “visão de tolerância, sinergia e a fusão de passado e futuro”.

A Ministra de Assuntos da Diáspora de Israel, Omer Yankelevich, disse na noite desta quinta-feira que ela já havia falado com outro líder da comunidade, Solly Wolf.

“Ficamos muito entusiasmados e movidos por esta grande oportunidade e concordamos em estabelecer um relacionamento mutuamente frutífero entre a comunidade judaica e o Ministério (israelense) de Assuntos da Diáspora”, disse ela.

Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos têm feito grandes esforços para se apresentar como um país tolerante que recebe todas as religiões, incluindo o judaísmo. O presidente Khalifa bin-Zayed al-Nahyan declarou 2019 como o “Ano da Tolerância” nos Emirados Árabes Unidos. Nesse contexto, o país anunciou a construção de um grande complexo inter-religioso em Abu Dhabi, que também incluirá uma sinagoga. A chamada Casa da Família Abraâmica está programada para ser inaugurada em 2022.

“A visita (histórica de 2019) do papa, a construção da Casa da Família Abraâmica e o Ano da Tolerância apontam na mesma direção: o futuro”, disse Sarna, que mora em Nova York. “O que mais me entusiasma é o potencial de colaboração em torno da educação e da cultura”.

O rabino Levi Duchman, de Dubai, disse que o acordo é “histórico para todas as pessoas no Oriente Médio e para a humanidade em geral”.

“A cooperação pacífica das nações em prol do benefício das sociedades – trabalhando juntos para uma vacina contra o coronavírus, entre outras medidas que salvam vidas – é certamente um prenúncio de um futuro melhor para todos nós”, disse ele em comunicado.

“Somos gratos ao nosso governo com visão de futuro, comprometido como está em trazer paz, cura e progresso para o mundo”.

Uma comunidade judaica cresce em Dubai há uma década, inicialmente com apoio tácito, mas mais recentemente com o apoio aberto das autoridades locais, e está atualmente em processo de se tornar oficialmente uma comunidade religiosa reconhecida.

As estimativas de quantos judeus vivem atualmente nos Emirados Árabes Unidos variam de poucas centenas a 1.500. Existem três congregações diferentes – duas ortodoxas e uma progressista – e uma empresa de catering kosher no país, chamada de “Elli’s Kosher Kitchen”, que também atraiu muita atenção, incluindo a da ministra da Cultura dos Emirados Árabes Unidos, Noura al-Kaabi, que a considerou um novo capítulo na “história da gastronomia no Golfo”.