Conib apoia o Movimento AR – Vidas Negras Importam, mobilização de combate ao racismo e ao preconceito

A Universidade Zumbi dos Palamares e a Afrobras lançaram em 30 de junho, Movimento AR – Vidas Negras Importam uma mobilização voluntária para realizar mudanças e transformações sociais através de ações efetivas de combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação racial contra negros. Com ele, foi criado também o manifesto que contempla 10 ações estratégicas a serem atingidas em cinco anos. A meta para o primeiro ano é alcançar 30 por cento de realizações. A Conib é uma das instituições que apoia a ação. A primeira medida já foi posta em prática: foi feita uma reunião com o Comando Geral da Polícia Militar de São Paulo.

Um dos idealizadores do movimento, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, o professor José Vicente explica que a ação ganhou mais força com o advento da pandemia e ainda mais musculatura após o episódio da morte de George Floyd, por policiais, nos Estados Unidos.

“A ocorrência do coronavírus acendeu uma luz vermelha porque sabemos do prejuízo terrível que traz, especialmente para os vulneráveis e aqueles que se encontram na periferia social. Esta população tem nome e sobrenome: negros. Também a morte de George Floyd, em decorrência de uma ação policial, acelerou nossa decisão de antecipar o andamento do movimento. Nós achávamos e achamos que por conta deste episódio abriu-se uma janela de oportunidades para falar da envergadura deste tema”, explicou o reitor José Vicente.

Para ele, não é possível mais que se tenha “uma polícia que não respeite, que não proteja, que não considere e que transgrida a lei para se impor, em uma postura claramente antidemocrática e antirrepublicana. Como pode a polícia subir o morro, dar 300 tiros e ao sair deixar corpos de gente inocente estendidos no chão”.

A ideia, diz o reitor, é a de mudar esta realidade. É preciso melhorar, ter uma atitude mais civilizatória. “É preciso ajudar a polícia. É preciso que sofra uma reformulação para que este tipo de conduta fique no passado. Precisamos de uma polícia que respeite, que proteja a todos, especialmente os negros, sem o olhar racializado”.

Além de pedir uma reformulação nos protocolos policiais, estão entre as ações do movimento, medidas para garantir o acesso ao mercado de trabalho e a prorrogação da Lei de Cotas nas universidades públicas federais, a criação de oportunidades de estudos para jovens negros e de um fundo para custear parte das ações.

José Vicente conta que o que se pretende é educar para transformar. “É possível reunirmos formadores de opinião e fazer com que ocorram mudanças e transformações. Uma rede de solidariedade está se formando, além de empresas e instituições, artistas, desportistas estão se juntando ao movimento”.

De zero a dez, veja as ações do movimento:

0. Manutenção integral e prorrogação por mais 10 anos dos Programas de Ações Afirmativas para inclusão de negros nas Universidades Públicas e Concursos Públicos e Estágios do Governo Federal, Estaduais e Municipais.

1. Mudança nos Protocolos Policiais para impedir técnicas de sufocamento e estrangulamento, disparos letais nas abordagens e confrontos policiais, e, invasão e ocupação com disparos de arma de fogo em favelas e comunidades.

2. Mudança nos Protocolos da Segurança Privada para impedir Seguranças de realizar abordagens e perseguição nos ambientes públicos e privados, constrangimentos, agressão física, tortura e morte de negros, nos Bancos, Shoppings e Supermercados.

3. Criação de 500 mil bolsas de estudos para qualificação de jovens negros em graduação, pós-graduação, pesquisa e formação tecnológica, economia criativa e negócios empreendedorismo.

4. Criação de 300 mil vagas de estágios, trainnees e profissionais negros nas empresas públicas e privadas.

5. Formação e qualificação de 1.000.000.000 – um milhão de quadros corporativos e policiais em Discriminação e Racismo e Gestão da Diversidade Racial.

6. Implementação de meios, ferramentas, mecanismos e metodologia de gestão e gerenciamento da inclusão, desenvolvimento de carreira e ação e politicas de diversidade racial, em 500 Empresas publicas e privadas.

7. 300 milhões em Compras Corporativas do ambiente publico e privado, de Serviços e produtos de empresas e empresários e profissionais negros.

8. Criação do Fundo Vidas Negras Importam de 200 Milhões de reais para fomento, apoio e financiamento educacional, empreendedor, tecnológico e de economia cultural criativa para jovens negros.

9. Implementação integral da Lei da Historia do Negro e História da África e da Disciplina de Relações Étnico Racial em todo ambiente escolar e universitário publico e privado do país.

10. Instalação da Rua Zumbi e Nacionalização da Virada da Consciência.