Foto: José Luiz Goldfarb

Conib lamenta a morte de Anita Novisnky 

Faleceu nesta terça-feira, aos 98 anos, a historiadora Anita Novinsky, acadêmica respeitada tanto no País como internacionalmente por sua extensa obra sobre a presença judaica no Brasil desde a chegada dos portugueses.
“A professora Anita Novinsky deu luz a um conhecimento adormecido e resgatou raizes significativas dentro da história do Brasil, configurando a contribuição judaica desde a chegada das caravelas portuguesas. Não fosse por ela, grande parte deste universo ainda estaria adormecido. Ela não só pesquisou, como orientou trabalhos seminais que dão brilho à história judaica brasileira. Um orgulho da nossa comunidade”, disse o presidente da Conib, Claudio Lottenberg.
Anita Novinsky é autora de algumas das pesquisas e livros mais importantes sobre o assunto, a exemplo de “Cristãos Novos na Bahia: A Inquisição no Brasil”, de 1992, e “Os judeus que construíram o Brasil”, de 2017, este em parceria com Eneida Ribeiro e Lina Gorenstein.
Os estudos de Anita sobre a Bahia estimaram que 10% a 20% da população branca de Salvador na metade do século XVII era formada por judeus, que também viveram no Recôncavo, entorno de Feira de Santana e Sul da Bahia, como Ilhéus, Itabuna e Porto Seguro.
Por mais de meio século, Anita Novinsky pesquisou sobre como os cristãos-novos, familiares de judeus convertidos à força, foram perseguidos pela Inquisição no Brasil.
Esse pioneirismo se deu a partir da década de 1960, quando os arquivos da Inquisição portuguesa foram abertos ao público, após 500 anos de sigilo. Antes, era impossível calcular a relevância da cultura judaica na formação do Brasil, e Anita Novinsky, que também lecionou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, onde era professora livre-docente, foi a primeira a se debruçar sobre o assunto e apresentar trabalhos sobre o tema.
Em “Os judeus que Construíram o Brasil” – resultado de pesquisas realizadas em todo o mundo e no arquivo secreto do Santo Ofício da Inquisição -, Anita relata como os judeus e os novos cristãos foram perseguidos entre os séculos 16 e 18. O livro traz detalhes sórdidos da Inquisição portuguesa que transferiu para a colônia a perseguição aos judeus. Distante da Europa, o Brasil foi o destino de muitos convertidos.

Foto: José Luiz Goldfarb