Conib saúda decisão do Facebook de banir publicações de negação do Holocausto

A Confederação Israelita do Brasil, Conib, saudou a decisão do Facebook de banir postagens que neguem ou distorçam informações sobre o Holocausto. “A decisão do Facebook de proibir a negação do Holocausto e postagens que distorcem este fato histórico tem um peso significativo. É sabido que o Holocausto é alvo recorrente de ataques e distorções por aqueles que pregam o ódio e a intolerância. É de fundamental importância que todos tenham acesso a dados verdadeiros sobre este momento nefasto da história da humanidade”, disse o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.
A Conib tem se empenhado de maneira sistemática no combate ao discurso de ódio na internet. A instituição lançou um Guia para Identificação do Discurso de Ódio, fruto de uma parceria com a FGV, e foi admitida pelo Ministro Dias Toffoli atuar em recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) como ‘Amicus Curiae’ (Amigo da Corte), em uma ação contra o Facebook, à qual ele atribuiu repercussão geral.

Em recente artigo na Veja, Lottenberg destacou o avanço do discurso de ódio e do antissemitismo em meio à pandemia de coronavírus e pediu a criação urgente de mecanismos de defesa, particularmente, nas redes sociais. Ele observou que libelos de que a Covid-19 seria causada por um “vírus chinês” ou que Israel e os judeus estariam espalhando o Sars-CoV-2 pelo mundo aparecem, com indesejável frequência, em posts e falsas notícias em vários países, muitas vezes associados a chavões clássicos, como “isso tudo está acontecendo por causa dos interesses dos Rothschild ou de George Soros”, que seriam donos de laboratórios, prontos para tirar proveito da crise, produzindo remédios e vacinas. A única reação que esses ataques não provocam é surpresa.

Em evento no último dia 7 sobre antissemitismo, promovido pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região, Lottenberg falou sobre os desafios do mundo atual, em especial como responder ao recrudescimento, em escala mundial, do antissemitismo. Ressaltou: “Essa questão não diz respeito não apenas aos judeus, mas a toda a sociedade”. E complementou: “E, como se constata ao longo da história, os ataques contra judeus são geralmente prenúncios de ataques sistêmicos, de maior alcance”. O presidente da Conib teceu explicações sobre significado do termo antissemitismo e descreveu os diferentes tipos desta manifestação: o antissemitismo clássico, de origens religiosas e raciais; o antissionismo, muitas vezes associado com os grupos de extrema esquerda, que se voltam contra a legitimidade do estado de Israel e, por fim, o fundamentalismo islâmico.

Em agosto, o presidente da Conib participou do debate “Stop Hate For Profit: uma campanha contra os discursos de ódio nas redes sociais”. O encontro contou com a participação da escritora e filósofa Djamila Ribeiro, o CEO da ADL, Jonathan Greenblatt, e a jornalista e escritora Patrícia Campos Mello O evento, que durou cerca de uma hora, com uma audiência de 450 pessoas ao vivo e 3.500 visualizações, foi promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), o Instituto Brasil-Israel (IBI) e a Anti-Defamation League (ADL).
A campanha Stop Hate For Profit foi uma ação iniciada nos EUA e liderada pela Liga Anti-Difamação, NAACP, Color of Change e outras organizações ligadas a minorias, para que marcas parem de anunciar no Facebook e no Instagram, como forma de pressão para que os provedores tenham uma política efetiva contra a disseminação de fake news e de discursos de ódio. No Brasil, em meio a uma CPMI no Congresso, decisões judiciais que derrubaram contas que espalham notícias falsas nas redes sociais e o debate no Congresso sobre um projeto de lei de combate às fake news, a discussão sobre o poder de amplificação de discursos de ódio nestas plataformas se faz urgente.