Coronavírus muda hábitos com serviços religiosos online

Com o avanço do coronavírus, os serviços religiosos em igrejas, sinagogas e mesquitas passaram a ser transmitidos online em todo o País.

“Sexta, sábado e domingo por aqui é tudo muito agitado. Mas, com o avanço do coronavírus, tudo foi diminuindo”, contou o italiano que vive no Brasil há quase 30 anos. Quem quiser acompanhar a missa feita por três padres em conjunto terá de usar a internet – prática adotada por outras denominações religiosas no Brasil e no mundo desde o início da pandemia.

Na Primeira Igreja Batista de São Paulo, as reuniões e eventos também foram suspensos e as atividades online estão sendo estimuladas, incluindo cultos. Aconselhamentos pastorais e reuniões de oração passaram a ser virtuais. “É uma crise com impactos emocionais e econômicos, além dos epidemiológicos. Por isso, muitos pastores estão oferecendo ajuda com alimentos”, complementa o pastor Davi Lago.

Ação semelhante à adotada pelos judeus em São Paulo. Com 40 sinagogas fechadas, o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, conta que algumas instalaram estúdios e decidiram transmitir pela internet as orações. “Estamos proibindo o público de entrar, algo que era impensável. A gente trabalhou a vida inteira para estimular as pessoas a estarem na sinagoga”, diz o rabino. “Mas entendemos como algo necessário e temporário. Em breve esperamos retomar o face a face com muito beijo e abraço”. O presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Fernando Lottenberg, diz que há iniciativas de voluntários para apoiar pessoas idosas a fazer compras em farmácias ou mercados, e propostas de atividades aos que ficam em casa. Uma dessas ações são “jantares virtuais” por Facetime.

A Diocese de Roma fechou mais de 900 igrejas e o papa liberou os fiéis de irem à missa aos domingos. No Vaticano, a Praça de São Pedro não tem mais eventos. A Arábia Saudita fechou os portões de suas principais mesquitas para as tradicionais orações de sexta. Eventos religiosos em Israel foram suspensos e os sempre lotados templos hinduístas da Índia estão com restrição para funcionar.

As medidas de isolamento e distanciamento social representam um desafio para as religiões, uma vez que os encontros e eventos fazem parte de uma tradição que atravessa os séculos. “Os rituais são mecanismos de conexão das pessoas com a comunidade e com a divindade. Eles tocam muito no sentimento e no imaginário”, explica o doutor em Ciências da Religião Luiz Bueno, professor da FAAP. “A impossibilidade de realização desses rituais religiosos tem um impacto muito grande nas comunidades”.