Delegação de líderes judeus dos EUA vai à Arábia Saudita discutir combate ao terrorismo e estabilidade regional

Uma delegação de membros da Conferência dos Presidentes das Maiores Organizações Judaicas Americanas visitou a Arábia Saudita nesta semana, na primeira viagem oficial ao reino de uma organização judaica americana desde 1993.

A Agência Telegráfica Judaica (JTA) informou que a visita, de segunda a quinta-feira desta semana, incluiu reuniões com altas autoridades sauditas, bem como com Mohammed al-Issa, secretário-geral da Liga Mundial Muçulmana que recentemente liderou uma delegação em visita a Auschwitz. Al-Issa é visto como próximo a Mohammed bin Salman, o príncipe saudita.

O foco dos encontros com as autoridades sauditas foi o combate ao terrorismo e aos que promovem a instabilidade no Oriente Médio. Arábia Saudita e Israel compartilham uma preocupação mútua com a atividade do Irã na região e temem que esse país esteja desenvolvendo um programa de armas nucleares.

Por que isso importa?

A Conferência dos Presidentes reúne as principais organizações judaicas dos EUA, criada na década de 1950 para representar os judeus americanos em questões de política externa.

Não se sabe quais organizações judaicas estiveram representadas em Riad, mas a liderança da Conferência – o vice-presidente executivo Malcolm Hoenlein e o CEO William Daroff – participou dos encontros, assim como o atual presidente Arthur Stark. Algumas organizações optaram por não participar. A Arábia Saudita tem sido criticada nos últimos anos por reprimir dissidentes. Agentes sauditas assassinaram brutalmente, em 2018, em Istambul, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que residia nos EUA e que havia se tornado um crítico do regime.

A visita da delegação, porém, sinaliza uma aproximação entre grupos judaicos dos EUA e a Arábia Saudita, em momentos em que Riad também se aproxima de Israel.

Em 1993, o Congresso Judaico Americano (CJL) enviou uma delegação à Arábia Saudita, quando o processo de paz de Oslo estava em andamento.

É pouco provável que esta visita tenha ocorrido sem o aval e incentivos do governo Trump e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O genro e assessor do presidente Donald Trump, Jared Kushner, tem mantido contatos com bin Salman em busca de apoio ao plano de paz que preparou para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos.