Diante de possível retomada do acordo nuclear, Israel estuda novas opções para conter a ameaça iraniana

Israel está estuando novas opções para conter a ameaça iraniana diante da possibilidade de o presidente eleito dos EUA retomar o acordo nuclear com o Irã, do qual Donald Trump se retirou em 2018.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, disse que “o regime iraniano está ansioso para ter armas nucleares e está claro que Israel precisa ter uma opção militar sobre a mesa”.

O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDFs), tenente-general Aviv Kochavi, instruiu os militares a traçar um novo plano para conter a ameaça iraniana. A iniciativa veio após movimentos recentes de Teerã, indicando que planeja acelerar o desenvolvimento em seu programa nuclear.

A Diretoria de Estratégia e Terceiro Círculo das IDFs, foi encarregada de elaborar três alternativas para Israel minar os esforços nucleares do Irã ou, se necessário, conter a agressão iraniana. O esforço envolve adicionar bilhões de shekels ao orçamento de defesa.

Embora o Irã tenha indicado que gostaria de negociar um novo acordo nuclear com a próxima administração do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, em vez do pacto do qual o presidente Trump se retirou em 2018, recentemente o país tomou várias medidas que podem permitir a redução significativa do tempo necessário para o desenvolvimento de uma arma nuclear.

A Inteligência Militar israelense acredita que, assim que os aiatolás autorizarem, o país poderá ter uma instalação nuclear militar em pleno funcionamento dentro de um ano.

“O Irã fez progressos nos últimos anos em termos de pesquisa e desenvolvimento, tanto em material enriquecido quanto em capacidades ofensivas, e tem um regime que realmente deseja ter armas nucleares”, disse o ministro Benny Gantz, ao Israel Hayom.

“Está claro que Israel precisa ter uma opção militar na mesa. Isso requer recursos e investimento, e estou trabalhando para que isso aconteça”.

Os movimentos recentes do Irã, incluindo acumular urânio enriquecido de baixo teor, instalar centrífugas avançadas, expandir várias instalações nucleares, buscar enriquecimento de urânio a um nível de 20% e, mais recentemente, anunciar planos para produzir urânio metálico para combustível de reator, significam que a matriz da República Islâmica de ativos nucleares está crescendo.

Israel acredita que os aiatolás planejam usar esses ativos como alavanca nas negociações com o governo Biden e alertou que a retomada das condições detalhadas no acordo nuclear de 2015 seria uma calamidade.

Israel quer um futuro acordo com o Irã que inclua um período mais longo de supervisão de seus programas nucleares, bem como restrições à pesquisa e desenvolvimento nuclear, desenvolvimento e produção de mísseis e restrição de suas atividades terroristas na região.

Autoridades de Jerusalém disseram que Israel planeja não poupar esforços junto aos EUA para garantir que um acordo melhor seja feito.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu planeja nomear um especialista para chefiar esses esforços. Para isso, o país deve contratar o diretor da agência de inteligência do Mossad, Yossi Cohen, que se aposentará em junho.

Na madrugada desta quarta-feira, Israel lançou a maior ofensiva contra alvos iranianos na Síria. Horas depois, o ministro da Defesa, Benny Gantz, alertou que Israel “continuará agindo contra aqueles que tentarem desafiar” o país. “Não estamos sentados e esperando. Somos ativos defensiva, política e economicamente”, disse Gantz, durante visita à fronteira sírio-israelense.

Foto: IDFs