Dois réus são condenados a 14 anos em regime fechado por atacar judeus em Porto Alegre

Dois acusados de espancar e esfaquear judeus há 14 anos no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, foram condenados por tentativa de homicídio qualificado pelo Tribunal do Júri, em sessão que teve início na quinta-feira (21) e terminou na madrugada deste sábado (23) com a leitura da sentença pela juíza da 2ª Vara do Júri do Foro Central, Cristiane Zardo.

As penas aplicadas para Daniel Vieira Sperk e Leandro Comaru Jachetti são de 14 anos de reclusão em regime inicial fechado para cada um. Eles poderão recorrer em liberdade.

No caso de Marcelo Moraes Cecílio, terceiro réu julgado, houve desclassificação do crime, que passou a ser o de lesão corporal leve. Como o delito já prescreveu, a juíza deu por extinta a punibilidade.

Nesta sexta-feira (22), a sessão foi aberta com o interrogatório de Sperk. Durante depoimento, ele afirmou que apenas foi punk e negou que fazia parte de um grupo de skinheads – que pregava o ódio a homossexuais, negros e judeus. Ele ainda alegou que já foi agredido por grupo semelhante e que sempre foi confundido apenas porque tinha a cabeça raspada.

“Sou totalmente inocente. Eu sempre lutei contra o nazismo. Há 14 anos as pessoas me chamam de nazista. Eu nunca fui violento. Eu nunca tive passagem na polícia. Me tiraram para bode expiatório”, disse aos jurados.

O segundo réu a depor nesta sexta foi Leandro Comaru Jachetti, que também negou envolvimento no crime. Questionado pelo Ministério Público sobre o ataque, disse que estava no bar, mas apenas se defendeu.

“Quando começou a briga foi um empurra-empurra. Eu me defendi para não ser agredido. Foi uma defesa”, sustentou.
Marcelo Morais Cecílio já havia falado aos jurados ainda na quinta-feira, quando alegou que estava no banheiro no momento da briga e que nunca teve nenhum tipo de preconceito.

Após o depoimento dos réus, iniciou a fase de debates com a acusação do Ministério Público.

O Promotor de Justiça Luiz Eduardo de Oliveira Azevedo começou a narrar para os jurados qual seria o envolvimento de cada um dos réus. Em seguida, a Promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari começou a apontar provas.

“A primeira coisa que fiz foi olhar sobre tatuagens de skinheads. E vejam as tatuagens deles. Muito fácil chegar aqui e dizer: eu não tenho nada a ver”, destacou a promotora.

O assistente de acusação, João Batista Saraiva, explicou aos jurados que as vítimas do ataque convivem com traumas e problemas de saúde.

“O Alan nunca mais conseguiu usar (o quipá). Já viram isso? O quipá fala da sua alma, fala do seu Deus. E ele passou a não usar mais”,lamentou.