Em debate com Claudio Lottenberg, Jaime Spitzcovsky analisa os desdobramentos das mudanças no Afeganistão 

  Em debate online neste sábado (21) com o presidente da Conib, Claudio Lottenberg, o jornalista Jaime Spitzcovsky avaliou que a tomada de poder pelo Talibã no Afeganistão pode fortalecer a aliança anti-Irã de Israel com países árabes, além de ter outros desdobramentos, como passar a ser alvo de barganha nas relações EUA-China, entre outros.

Jaime falou sobre a importância da localização estratégica do Afeganistão. “Encravado no meio da Ásia, o Afeganistão não tem saída para o mar, tem alguns minérios, 97% dos afegãos são muçulmanos xiitas, mas há muitos povos vivendo lá”. O país está localizado numa área estratégica para quem quer dominar a Ásia e tem importância regional.

Jaime lembrou que em dezembro de 1979, a URSS, sob o governo de Leonid Brejnev, invadiu o Afeganistão com o objetivo de consolidar no país um governo comunista. Essa guerra durou 10 anos e os afegãos acabaram derrotando os soviéticos. Esse momento foi importante para entender os movimentos fundamentalistas de resistencia Talebã, Al-Qaeda, e os mujahedines (estes, com apoio dos EUA). Paquistão, EUA e Osama Bin Laden apoiaram a guerrilha afegã contra a União Soviética. Quando os soviéticos se retiraram, houve uma bifurcação: Bin Laden criou a Al Qaeda com a intenção de restabelecer um califado na região, como havia em séculos passados. Com a saída dos soviéticos, grupos afegãos passaram a lutar entre si em disputa pelo poder. Em 1994 surgiu o Talebã, com o apoio do Paquistão, que, como vizinho, incentivou a luta pelo poder para obter vantagens dessa aliança

Talebã nunca foi um grupo de terrorismo internacional, mas deu guarita a movimentos terroristas internacionais, observou Jaime.

Embora conte com o apoio interno, inclusive dos republicanos, a iniciativa dos EUA de retirarem suas tropas do Afeganistão terá um preço político para Biden, que poderá ser medido nas eleições de meio de mandato no próximo ano, avaliou Jaime.

Jaime falou também sobre a sua trajetória no jornalismo e os momentos históricos que vivenciou como correspondente da Folha na antiga União Soviética e, depois, na China. Citou momentos marcantes de sua carreira, como a libertação de Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, que teve a oportunidade de presenciar, os arquivos de Auschwitz, que pode acessar, e, na China, acompanhar a cobertura da morte do líder Deng Xiao Ping.

Para assistir ao debate acesse a página de Cladio Lottenberg no Instagram: https://www.instagram.com/p/CS2qwxrnjO_/ ou ou  o Facebook e o YouTube da Conib.