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Em derrota para Netanyahu, Ra’am dá ao bloco de Lapid o controle do painel principal do Knesset

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu o controle do painel principal do Knesset e pode em breve também perder a função de premier, depois que o bloco de oposição votou contra ele em uma importante votação no Parlamento nesta segunda-feira.
Os oponentes de Netanyahu conseguiram aprovar sua proposta de controle sobre o poderoso Comitê de Arranjos, que dirige o Knesset, até que um governo seja formado, graças ao apoio do Partido Ra’am (da Lista Conjunta Árabe), liderado por parlamentar Mansour Abbas.
A proposta do líder do bloco de Yesh Atid, Meir Cohen, foi aprovada por 60 votos a 51. Fontes do partido disseram que sua vitória veio após uma reunião construtiva nesta segunda-feira entre seu líder, Yair Lapid, e Abbas.
“Agradeço aos meus parceiros”, escreveu Lapid no Twitter. “A vitória na votação no Comitê de Arranjos é mais um passo no caminho para um governo de unidade em Israel”.
Em troca de seu apoio, Lapid ofereceu a Ra’am um lugar no Comitê de Finanças do Knesset, a presidência de um comitê de combate à violência no setor árabe e um cargo de vice-presidente do Knesset. Mas em uma entrevista ao Canal 12, Abbas disse que isso não influiu em sua decisão.
“Queríamos garantir nosso papel de manter o equilíbrio de poder no Knesset e mostrar que não estávamos no bolso de ninguém”, disse Abbas, que acrescentou que também estava irritado com os constantes ataques a ele pelo líder do Partido Sionista Religioso Bezalel Smotrich, um membro-chave do bloco de Netanyahu.
Funcionários do Yesh Atid disseram que seu primeiro objetivo seria levar a uma votação com Cohen substituindo o presidente do Knesset, Yariv Levin, que é o parlamentar mais próximo de Netanyahu. A maioria do bloco de Lapid no comitê poderia ajudá-lo a fazer avançar a legislação anti-Netanyahu, incluindo um projeto de lei que impediria um candidato sob acusação criminal de formar um governo.
O Comitê de Arranjos decidirá a composição do Comitê temporário de Relações Exteriores e Defesa e do Comitê de Finanças, que supervisiona Netanyahu e seu governo. Também nomeará os deputados do presidente do Knesset, o que permitirá iniciar o processo de eleição de um novo presidente.
Netanyahu achava que teria maioria no comitê, devido a um acordo entre o Likud e Yamina. Por esse acordo, Yamina receberia uma segunda vaga no comitê às custas do Likud, em troca de seus votos. Irritados com esse acordo, os parlamentares do Ra’am decidiram entrar no plenário e derrotar a proposta do Likud por uma votação de 60-58. Isso levou à votação da proposta do bloco anti-Netanyahu, à qual os sete parlamentares do Yamina não compareceram.
O líder do Yamina, Naftali Bennett, tomou a decisão de “seguir com a esquerda”, disse Netanyahu em uma reunião a portas fechadas com os membros do Judaísmo da Torá Unida nesta segunda-feira no Knesset. Ele e Bennett tiveram uma reunião tensa na segunda-feira, a quinta desde que Netanyahu recebeu do presidente Reuven Rivlin, há duas semanas,.um prazo de quatro semanas para formar um governo.
Mais cedo, Netanyahu disse a membros do Likud que um governo liderado por Bennett, cujo partido tem sete cadeiras no Knesset, seria “absurdo”.
“A hora da verdade para Bennett chegou”, disse Netanyahu. “Ele prometeu não se sentar sob o comando de Lapid, com o Meretz e o Trabalhismo e com o apoio da Lista Conjunta. Portanto, ele deve parar de seguir em direção a um governo de esquerda”.
Na reunião a portas fechadas, Netanyahu disse que o que seus oponentes chamam de governo de unidade só traria mais paralisia no governo e seria “muito ruim para Israel”.

Foto: Olivier Fitoussi/Flash90