Foto: Eliana Assumpção

Em evento promovido pela CONIB, FISESP, Hebraica de São Paulo e BRIL Chamber, Cymerman fala sobre mudanças no Oriente Médio que beneficiarão Israel

Em evento promovido pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), junto com a Federação Israelita do Estado de São Paulo (FISESP), Clube A Hebraica de São Paulo e a Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria (BRIL Chamber), o jornalista Henrique Cymerman falou sobre o seu livro “Conversando com o inimigo: Do Porto a Abu Dhabi via Tel Aviv”, deu detalhes sobre a cobertura que fez de acontecimentos importantes no Oriente Médio nas últimas cinco décadas e revelou que os Estados Unidos costuram um acordo inédito entre Israel e a Arábia Saudita, que abrirá um mundo novo de possibilidades para o Estado judeu com adesão de outras nações muçulmanas, como Indonésia e Malásia, países que, juntos com os sauditas, representarão um mercado maior que a União Europeia.

“Vivemos momentos históricos”, disse Cymerman, ao revelar que as negociações finais sobre esse acordo seriam o motivo pelo qual o presidente americano, Joe Biden, adiou para julho a viagem que pretendia fazer a Israel e nações árabes neste mês de junho.

Cymerman explicou a importância do acordo para Israel: “A Arábia Saudita, é o maior produtor de petróleo do mundo, tem uma população de maioria jovem – 70% tem menos de 30 anos – que anseia conhecer Tel Aviv, especialmente”. Pelo acordo que, segundo o jornalista seria uma espécie de OTAN do Oriente Médio, a Arábia Saudita abriria seu espaço aéreo a Israel para qualquer voo. Os EUA receberiam mais petróleo saudita, reduzindo, assim sua dependência internacional dificultada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Cymerman citou a irritação de grupos radicais islâmicos com os Acordos de Abraão e com o fato de a questão palestina estar passando a segundo plano e deixando de ser prioridade para nações árabes. Exemplo disso, segundo ele, foi revelado numa conversa com um líder saudita em que este teria admitido que a situação mudou “porque agora temos um inimigo comum: o Irã”. O líder saudita teria explicado que, no caso de uma agressão iraniana, Israel teria condições militares de reagir e as nações árabes não. Isso explicaria também os recentes exercícios militares conjuntos, algo antes impensável. Para Cymerman há uma consciência dos países árabes em buscar uma solução para o conflito israelo-palestino através de negociações e fora de padrões exigidos, até porque o Hamas, que governa Gaza, não aceita Israel e reivindica como palestino todo o território israelense.

Há também o interesse de nações árabes na tecnologia israelense. Como nação das startups, Israel virou referência mundial e exporta tecnologia para muitos países.

Os Acordos de Abraão – assinados entre Israel, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Marrocos e Sudão – prosperaram em várias áreas. Recentemente, Israel assinou com os EAU um acordo inédito de livre comércio. Também na área da saúde os acordos prosperam. No início da pandemia de Covid-19 cerca de 40 médicos israelenses e de países árabes se reuniram via Zoom para trocar ideias e experiências sobre o avanço do vírus. Recentemente, outro encontro online reuniu 140 médicos de Israel e de nações árabes. Atualmente, segundo Cymerman, até mesmo o Qatar já busca uma aproximação com Israel. Turquia também segue essa tendência. Cymerman explica que anos atrás o presidente Recep Erdogan se reelegeu fazendo campanha contra Israel. Hoje, segundo ele, o presidente turco pretende defender uma aproximação com Israel em sua campanha para as eleições de 2023.

Irã, Hamas e Hezbollah são os grandes desafios de Israel. Sobre os 150 mil mísseis que o Hezbollah afirma ter apontados para Israel, Cymerman diz que essa organização não teria coragem de dar um primeiro passo nesse sentido. Isso porque Israel sabe muito sobre o Líbano e as estratégias militares do Hezbollah e essa organização, ao contrário, sabe muito pouco sobre o Estado judeu.

Cymerman recebe nesta semana, representado pela sua filha, o prêmio Shimon Peres deste ano.

A viagem de Cymerman ao Brasil é uma parceria do Instituto Brasil-Israel com a editora Talu Cultural, que publicou o seu livro.