Em evento sobre Auschwitz, em Israel, líderes alertam para ameaça do extremismo

Líderes e delegações de quase 50 países participaram em Israel nesta quinta-feira (23) da quinta edição do Fórum Mundial do Holocausto, evento em homenagem ao 75º aniversário da liberação de Auschwitz – maior campo de extermínio nazista -, na próxima segunda-feira (27). A cerimônia refletiu não só a preocupação com o crescimento do antissemitismo e de movimentos nacionalistas e negacionistas, mas também disputas atuais sobre o papel da antiga União Soviética e de países europeus na Segunda Guerra Mundial.

O evento no Memorial do Holocausto de Jerusalém, intitulado “Relembrando o Holocausto, Lutando contra o Antissemitismo”, foi aberto com discursos do presidente israelense, Reuven Rivlin, e do premier Benjamin Netanyahu. Os dois destacaram a importância do combate ao antissemitismo – “uma doença maligna que destrói povos e países”, segundo Rivlin – e a importância de relembrar o extermínio de cerca de 6 milhões de judeus entre 1941 e 1945.

Netanyahu, que está em sua terceira campanha eleitoral depois de duas eleições inconclusivas em menos de um ano, voltou-se para o Irã. O premier chamou a República Islâmica de “o regime mais antissemita do planeta”, acusando a República Islâmica de “buscar abertamente aniquilar o único Estado judeu”. Em seguida, ele agradeceu aos Estados Unidos, representados no evento pelo vice-presidente Mike Pence, por “confrontar os tiranos de Teerã”, referindo-se às tensões do início de janeiro, após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani.

“Preocupa-me que ainda não tenhamos visto um posicionamento unificado e definitivo contra o regime mais antissemita do planeta”, disse Netanyahu, dirigindo-se aos líderes presentes, em especial os europeus, que considera não serem suficientemente duros em relação ao Irã.

Tom similar foi adotado pelo vice-presidente americano, que discursou alguns minutos após Netanyahu:
“Devemos também nos unir para combater o principal Estado antissemita”, disse Pence. “O único governo do mundo que nega o Holocausto em suas políticas estatais e defende apagar Israel do mapa. O mundo deve se unir firmemente contra a República Islâmica do Irã”.

Entre os 41 chefes de Estado e governo que foram a Jerusalém, o francês Emmanuel Macron ressaltou a importância de combater teorias negacionistas e relembrar as vítimas do regime nazista, destacando o crescimento do antissemitismo, da xenofobia e da intolerância.

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, ressaltou a culpa de seu Estado: “A terrível guerra que custou mais de 50 milhões de vidas começou no meu país. Setenta e cinco anos após a liberação de Auschwitz, eu estou aqui como presidente da Alemanha, cheio de culpa”, disse Steinmeier. “Os espíritos do mal estão emergindo em nova forma, se apresentando em pensamentos antissemitas, racistas e autoritários como uma resposta para o futuro. Eu gostaria de afirmar que nós alemães aprendemos com a história de uma vez por todas, mas não posso dizer isso quando o ódio está se espalhando”.

Foi o discurso do presidente russo, Vladimir Putin, no entanto, que chamou a atenção. Horas após inaugurar um memorial em homenagem às vítimas do Cerco de Leningrado pelo Exército nazista, ele deixou seu recado para os países europeus:
“Nós não devemos esquecer que estes crimes (nazistas) tiveram cúmplices que eram, com frequência, mais cruéis que seus mestres. As fábricas da morte e os campos de extermínio não eram usados unicamente pelos nazistas, mas também por seus cúmplices na Europa. O ponto levantado por Putin está no centro da maior controvérsia do fórum: a ausência do presidente polonês, Andrzej Duda. Cerca de metade dos judeus mortos durante o genocídio orquestrado por Adolf Hitler eram poloneses.