Em live, Claudio Lottenberg e Guga Chacra debatem política internacional e pandemia 

O novo governo de Israel, visão internacional sobre o Brasil, a situação de Cuba e o programa nuclear do Irã foram algumas das questões abordadas na conversa do presidente da Conib, Claudio Lottenberg, em uma live com o jornalista Guga Chacra, na noite desta quinta (22). Não ficaram de fora desse bate-papo, temas como a epidemia da Covid-19 e futebol, entre outros.
Sobre as mudanças no cenário do Oriente Médio, com a entrada de Joe Biden na presidência dos EUA e Naftali Bennett na liderança em Israel, Guga disse que o governo atual reúne partidos mais diversos no espectro político do que o anterior. Mas o mais interessante, assinalou, é a presença de um partido árabe-israelense na coalizão, o Raam. “Para mim este é um imenso divisor de águas que torna o cenário mais positivo”, avaliou. Sobre Biden, Guga pensa que o atual presidente dos EUA não tem o mesmo interesse no Oriente Médio que seus antecessores.
O jornalista também viu como positivos os Acordos de Abraão, para ambos os lados, independentemente da questão israelo-palestina. Guga pensa que a presença dos países do Golfo, bem como a do partido Raam integrando o governo de Israel, são dois dos pontos mais positivos para uma eventual retomada na solução do conflito Israel-Palestina.
Perguntado por Lottenberg se a percepção do Brasil para quem está no exterior mudou nos últimos anos, Guga foi taxativo: “A diferença é enorme”. Guga explicou que o Brasil era muito admirado, o soft power era grande em 2005 (quando ele se transferiu para os EUA). O país, disse, era visto como alegre, buscando diplomaticamente a neutralidade. O futebol ainda era muito forte, tinha a música brasileira, enumerou. “A imagem era excelente”. Ele destacou que no Conselho de Segurança da ONU, a posição do Brasil era respeitada. O Brasil, frisou, era respeitado. Ele aponta que a visão começou a mudar com a questão ambiental e, depois, com a pandemia, quando o país virou sinônimo de Covid-19. “O Brasil vai ter dificuldade para superar esta imagem”.
A situação de Cuba, com os recentes protestos, também entrou em pauta. O comentarista acha que há uma demanda de novas gerações por um regime mais democrático, e destacou o uso da internet como um fator importante nos últimos acontecimentos. Mas, ele ressalta que o governo cubano não deu sinais de acenar rumo a uma transição, e derrubar um regime é uma coisa muito difícil.
Outro assunto explorado foi o Irã. Claudio Lottenberg perguntou o que há de verdadeiro sobre o arsenal nuclear do país, se o embrago faria sentido. Guga respondeu que o país tinha sim um programa nuclear. Entretanto, ele avalia que a estratégia de Trump, em deixar o pacto de 2015, não foi a melhor. Com Biden, apesar de algumas questões sensíveis, ele acredita que se vai, eventualmente, chegar a um acordo.
Em um momento de descontração, Guga, palmeirense, assumiu que implica com o time do São Paulo por dor de cotovelo e desfiou vitórias do adversário. “A rivalidade entre Palmeiras e São Paulo é muito forte”. Depois, ele contou também sobre ter passado a pandemia em Nova York e como isso o afetou.
Perguntado sobre como vê o Brasil hoje, ele diz que percebe que os brasileiros estão mais tensos, mais briguentos. Acha que o Brasil está em um momento difícil, mas é um país grande, com uma economia com capacidade de recuperação. “Sou menos pessimista em relação ao Brasil do que em relação a outros países do mundo em geral”.
Ao final, Lottenberg voltou a ressaltar a admiração citada no início do encontro pelo pai de Guga, o médico Antônio Roberto Chacra, de quem foi aluno na Escola Paulista de Medicina.
A conversa está disponível no Instagram @claudio.lottenberg e no YouTube e Facebook da Conib.