“Em qualquer situação, Golã permanecerá israelense”, diz Netanyahu, após declaração de Blinken

“As Colinas de Golã sempre farão parte de Israel”, disse em nota o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, depois que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, questionou o reconhecimento da administração Trump das Colinas de Golã como parte de Israel.

“A posição de Israel é clara. Em qualquer cenário futuro possível, o Golã permanecerá israelense”, disse o porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em resposta às declarações de Blinken, que, em entrevista à CNN na noite de segunda-feira, afirmou: “Por uma questão prática, o controle do Golã naquela situação, acho que continua sendo de real importância para a segurança de Israel”.

“As questões jurídicas são outra coisa e com o tempo, se a situação mudar na Síria, é algo que iremos olhar, mas, por enquanto, estamos muito longe disso”, afirmou o secretário de Estado americano.

Blinken acrescentou que o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, bem como a presença de grupos de milícias apoiados pelo Irã, representam uma “ameaça significativa à segurança” de Israel.

Os assessores do presidente dos Estados Unidos Joe Biden haviam dito anteriormente que ele não retiraria o reconhecimento dos Estados Unidos da soberania israelense sobre o Golã.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu oficialmente a soberania israelense sobre o Golã em 2019, o que representou uma mudança na política dos EUA para a região.

Israel ganhou o controle das Colinas de Golã da Síria na Guerra dos Seis Dias de 1967 e aplicou suas leis à área em 1981. Nenhum país além dos Estados Unidos reconheceu a soberania israelense sobre o Golã.

As declarações de Blinken também geraram forte reação de políticos israelenses.

Os partidos de direita que concorreram à eleição para o Knesset em março disseram que a declaração de Blinken não os impediria de desenvolver as Colinas de Golã.

O líder da Nova Esperança, Gideon Sa’ar, tuitou que Israel, sob a liderança do ex-primeiro-ministro Menachem Begin, aplicou sua soberania às Colinas de Golã há 40 anos.

“O Golã sempre será uma parte inseparável de Israel”, escreveu Sa’ar. “Um governo sob a minha liderança fortalecerá e aumentará nosso assentamento nas Colinas de Golã”, destacou.

Yamina respondeu que “o futuro de nossa terra será decidido pelas ações de Israel e não por palavras.

“Um governo israelense liderado por Naftali Bennett agirá para fortalecer nosso domínio sobre as Colinas de Golã, Samaria, o Vale (do Jordão) e a Judéia e o resto da terra”, afirmou o partido.

O Partido Religioso Sionista liderado por Bezalel Smotrich usou a declaração de Blinken como uma oportunidade para atacar a Nova Esperança e Yamina por não apoiarem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Quem pensa que pode colocar seus valores de lado mesmo ao preço de ingressar em um governo de esquerda se verá lutando não apenas pelo reconhecimento das Colinas de Golã, mas também contra a evacuação de cidades”, disse o partido.

Na mesma entrevista, Blinken reiterou comentários anteriores de que “se o Irã voltar a cumprir essas obrigações no acordo nuclear, faremos o mesmo, e então trabalharemos com nossos aliados e parceiros para tentar construir um acordo mais abrangente e mais forte e que também inclua outras questões, como o programa de mísseis iranianos, assim como suas ações desestabilizadoras na região, que também precisam ser abordadas”.

“O problema que enfrentamos agora”, disse ele, “é que nos últimos meses, o Irã ignorou uma restrição após a outra. E o resultado é que eles estão mais perto do que nunca de ter a capacidade de produzir o material sólido para uma arma nuclear”.

Blinken criticou a decisão do governo Trump de deixar o acordo com o Irã em 2018.

Sobre como o governo Biden viu os esforços do governo anterior para negociar a paz na região, Blinken disse: “Aplaudimos os acordos de Abraão”.

“Este foi um importante passo. Sempre que vemos Israel e seus vizinhos normalizando as relações, melhorando as relações, isso é bom para Israel, é bom para os outros países em questão, é bom para a paz e a segurança da região e acho que oferece novas perspectivas para as pessoas em toda a região por meio de viagens, do comércio e de atividades e cooperação conjuntas que possam melhorar de fato suas vidas economicamente. Isso é uma coisa boa”, disse..

“Mas isso não significa que os desafios do relacionamento entre Israel e os palestinos desapareçam. Eles ainda estão lá e não vão desaparecer milagrosamente. Então, precisamos nos engajar nisso , mas, antes, as partes em questão precisam se engajar nisso”.

“Esperamos ver ambos os lados tomarem medidas para criar um ambiente melhor no qual as negociações reais possam ocorrer”, disse ele.

Sobre se considera Jerusalém a capital de Israel, Blinken respondeu: “Sim, sim. E, o que é mais importante, consideramos”.

Foto: JALAA MAREY / AFP