Em visita a Israel, Pompeo pede ‘avanços’ na implementação do plano de paz americano e condena ‘agressão regional’ do Irã

Em visita a Israel nesta quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pediu “avanços” na implementação da proposta americana de paz para o conflito entre israelenses e palestinos e disse que a campanha para conter a agressão regional de Teerã “foi bem-sucedida”, mas admitiu que é necessário “fazer mais” nessa questão. “Mesmo durante esta pandemia, o regime dos aiatolás está usando os poucos recursos que tem para fomentar o terror em todo o mundo, mesmo quando o povo do Irã está lutando com tanto empenho para se manter e se proteger (do coronavírus)” disse ele. “Isso diz muito sobre a alma das pessoas que lideram esse país”.

O governo dos EUA disse que reconheceria a soberania israelense sobre todo o vale do Jordão e todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia em troca de garantias de que Israel está pronto para negociar um acordo de paz com os palestinos com base no plano do presidente Donald Trump.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu agradeceu o apoio dos EUA a Israel e falou rapidamente sobre o plano de paz. “Agora estamos prestes a formar um governo de unidade nacional”, disse ele, referindo-se ao governo de coalizão entre seu partido Likud e o Azul e Branco, de Benny Gantz, que tomará posse nesta quinta-feira.

“Esta é uma oportunidade para promover a paz e a segurança com base no entendimento que tive com o presidente Trump em minha última visita a Washington em janeiro”, disse ele.

“Todos esses são desafios e oportunidades que podemos enfrentar porque temos um vínculo poderoso que é a aliança entre Israel e EUA, e que é importante não apenas para nós, mas para muitos outros países da região”, acrescentou, sem dar mais detalhes.

Pompeo desembarcou no aeroporto Ben-Gurion na manhã desta quarta-feira, usando uma máscara com desenho da bandeira americana. Ele foi recebido na pista por Aryeh Lightstone, assessor do embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.

Friedman está enfrentando “sintomas leves do trato respiratório superior”, disse a embaixada, destacando que, apesar de ele ter testado negativo para a Covid-19, foi decidido que seria mais prudente ele não recepcionar Pompeo.

A visita de Pompeo é a primeira de uma figura diplomática importante desde que Israel efetivamente fechou suas fronteiras no final de março a quase todos os estrangeiros para conter a propagação do coronavírus. É também a primeira viagem do secretário ao exterior desde que ele fez uma visita surpresa ao Afeganistão em março.

“Agradecemos profundamente o fato de esta ser a sua primeira visita ao exterior, apesar de ser uma visita de apenas seis horas”, disse Netanyahu. “Acho que isso é uma prova da força de nossa aliança e da força do compromisso do presidente Trump com o Estado de Israel e com a nossa aliança”, acrescentou o premier.

Em suas breves declarações públicas, Pompeo e Netanyahu disseram que também discutirão esforços conjuntos para combater a pandemia de coronavírus.

“Israel é um ótimo parceiro, compartilha informações, ao contrário de outros países que tentam ocultar esses dados”, disse Pompeo a Netanyahu, aparentemente se referindo à China. “Vamos falar sobre esse país também”.

Netanyahu, rindo, respondeu destacando a importância de, nessa crise de coronavírus, “fornecer informações reais e compartilhá-las com outros países”.

A terceira questão da agenda foi o Irã. “Há algo mais atormentando nossa região – a incessante agressão e o terrorismo iraniano”, disse Netanyahu. Ele agradeceu ao presidente dos EUA por sua posição resoluta contra a República Islâmica, incluindo os esforços atuais do governo para estender um embargo internacional de armas contra o regime. “Quero expressar nossa gratidão por isso e também discutir como podemos continuar em nossa parceria para combater, enfrentar e reverter a agressão do Irã no Oriente Médio, na Síria e em qualquer outro lugar”, disse Netanyahu.

Pompeo disse que a campanha para conter a agressão regional de Teerã “foi bem-sucedida”, mas reconheceu que mais trabalho precisa ser feito nessa esfera.

“Mesmo durante esta pandemia, o regime dos aiatolás estão usando os pucos recursos que tem para fomentar o terror em todo o mundo, mesmo quando o povo do Irã está lutando com tanta força pela sobrevivência e a ameaça (do coronavíris)”, disse ele. “Isso diz muito sobre a alma das pessoas que lideram esse país”.

Esperava-se que Netanyahu usasse a reunião para pressionar os EUA a manterem as sanções contra o Irã, apesar de pedidos para que sejam flexibilizadas para permitir a recuperação do país diante da pandemia.

Pompeo também se reuniu com Benny Gantz, um ex-rival de Netanyahu que se juntará ao seu governo, primeiramente, como ministro da Defesa e, depois, como primeiro-ministro rotativo como parte de um acordo de compartilhamento de poder.

Pompeo deve retornar a Washington nesta quarta-feira à noite.