Encarregado por Rivlin, Gantz promete um governo “nacional, patriótico e amplo”

Encarregado pelo presidente Reuven Rivlin de formar a nova coalizão, o líder do Azul e Branco, Benny Gantz, prometeu um “governo nacional, patriótico e amplo” dentro de poucos dias. Gantz disse que buscará uma coalizão de unidade, “mas não à custa dos valores democráticos de Israel”. Prometeu trabalhar para todos, incluindo colonos e árabes israelenses.

“Dou minha palavra: farei de tudo para estabelecer dentro de dias – no mais curto espaço de tempo possível – um governo nacional, o mais patriótico e o mais amplo possível”, disse Gantz em declarações na residência do presidente em Jerusalém.

“O governo que liderarei ajudará a sociedade israelense a se recuperar do coronavírus, bem como do vírus da divisão e do ódio”, continuou ele.

Gantz disse que reparar o sistema de saúde de Israel seria uma das principais prioridades de seu governo. Gantz criticou os relatos de que a equipe médica em Israel está combatendo o coronavírus com equipamentos e suprimentos de proteção insuficientes. “Esperava sinceramente que fossem boatos e não uma omissão administrativa”, disse ele.

Ele prometeu que seu governo discutirá as “lições aprendidas (no processo que levou a três eleições em menos de um ano) e a necessidade urgente de restaurar o sistema médico público em Israel”.

Referindo-se à recomendação para se evitar cumprimentos de mão por causa do coronavírus, Gantz disse: “Estendo meus cotovelos a todos os grupos eleitos no Knesset, incluindo Benjamin Netanyahu, e exorto a todos a deixarem de lado as devastadoras armas verbais e o ódio infundado”.

“Eu sempre busquei um governo de unidade, mas não às custas dos valores democráticos de Israel”.

O presidente Reuven Rivlin encarregou hoje Gantz de formar o próximo governo, depois de ele ter conseguido o apoio de 61 parlamentares no Knesset.

“Um quarto turno de eleições não é possível e as chaves para formar um governo em Israel estão atualmente em suas mãos e nas dos líderes eleitos de todos os partidos”, disse Rivlin em cerimônia em Jerusalém.

Rivlin também abordou a necessidade de uma rápida formação do novo governo para enfrentar a crise do coronavírus.

“A lei lhe concede 28 dias, a partir de amanhã, para formar um governo”, disse ele.

“Este é um período curto, mas, dadas as atuais circunstâncias de emergência nacional e global, é muito longo. Diante da situação do momento e dos desafios que enfrentamos é urgente a formação de um governo em Israel”, disse o presidente.

No domingo (15), o presidente realizou uma série de reuniões com líderes dos partidos para saber quem eles recomendariam para formar o próximo governo.

Gantz recebeu o apoio da Lista Conjunta árabe, que conquistou 15 cadeiras nas eleições do dia 2 de março tornando-se o terceiro maior partido no Parlamento. Em seguida, Gantz recebeu o apoio de Avigdor Lieberman, cujo partido (Yisrael Beytenu, ou Israel Nossa Casa) conquistou sete cadeiras nas últimas eleições.

“Estivemos conversando com o Azul e Branco e discutimos todos os tipos de questões, incluindo a frente diplomática”, disse o líder da Lista Conjunta, Ayman Odeh ao se reunir com Rivlin no domingo.

“Conversamos, por exemplo, sobre um grande plano econômico, a erradicação da violência na sociedade árabe. Algumas das coisas com as quais concordamos e outras sobre as quais ainda temos lacunas”, afirmou.

Odeh advertiu, no entanto, que seu partido não apoiaria um governo de unidade entre o Likud e o Azul e Branco.

“Se Gantz entrar em um governo de unidade nacional, seremos os principais oponentes”, afirmou. “Mas se Gantz quiser estabelecer um governo de centro-esquerda, então o recomendamos. Queremos um governo de centro-esquerda, e todos os 15 membros da Lista Conjunta o recomendam”.

Nenhuma coalizão na história do país foi formada por um partido com representação árabe. Odeh disse que a legenda não se uniria formalmente a uma coalizão de Gantz, mas poderia lhe dar votos suficientes para governar.

Já Lieberman, do Israel Nossa Casa, declarou que apoiaria Gantz por considerar que o mais importante neste momento é evitar uma quarta eleição.

O presidente Rivlin afirmou que a melhor saída seria um governo de união com a oposição para pôr fim ao impasse, mas Gantz tem sido resistente à ideia de se aliar a Netanyahu.

Na noite desta domingo, Rivlin convocou Gantz e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para conversas em sua residência em Jerusalém sobre a formação imediata de um governo de unidade.

Embora Gantz tenha o apoio de mais da metade dos parlamentares para tentar formar um governo, isso não significa que ele possa reunir legisladores suficientes para concordar em se juntar à sua coalizão.

A Lista Conjunta afirmou várias vezes que não fará parte de nenhum governo, enquanto o líder do Yisrael Beytenu, Avigdor Lieberman, e dois membros do partido de Gantz, continuarem afirmando que se recusam a fazer parte de um governo que conta com o apoio da Lista Conjunta.

O parlamentar Orly Levy, que se juntou ao partido Gesher em uma aliança com o Partido Trabalhista, de esquerda, e Meretz antes da eleição, se recusou a endossar os dois lados, apesar de concordar em apoiar Gantz antes da votação.

Lieberman disse ao presidente no domingo que apoia Gantz, mas também pediu a formação de um governo de unidade “emergencial” para lidar com a ameaça do coronavírus.

Netanyahu convidou Gantz para se juntar a ele em um governo de emergência. Gantz deixou a porta aberta para um acordo nesse sentido, embora tenha descartado as ofertas como ‘não sinceras’.

Diante de uma decisão difícil, Rivlin convocou os dois líderes para conversas no final dia de ontem, na esperança de romper o impasse. Antes, ele havia tentado sensibilizar os líderes por um acordo de unidade de compartilhamento de poder.

“Quem acompanha as notícias dos últimos dias entende que este é um momento delicado e que essas não são consultas regulares”, disse ele.

“Agora precisamos lidar com a formação de um governo o mais rápido possível… diante deste momento complicado”.