“Essa questão não diz respeito apenas aos judeus, mas à toda sociedade”, disse o presidente da Conib em evento sobre antissemitismo, promovido pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região

O presidente da Conib, Fernando Lottenberg, foi o palestrante nesta quarta-feira (7) do evento “Desnudando Preconceitos”, promovido pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região. O evento teve por tema “O antissemitismo como forma de racismo”. Como debatedores estavam Therezinha Cazerta, desembargadora federal, diretora da EMAG, e Diana Brunstein, juíza federal. Assista.

Na abertura, Therezinha Cazerta fez uma introdução sobre o antissemitismo, tema do debate: “Ao longo da história vimos acontecer verdadeiras crueldades” salientou, mencionando, entre outros, os seis milhões de judeus mortos no Holocausto.

Em sua exposição, Fernando Lottenberg iniciou tratando dos desafios do mundo atual, em especial como responder ao recrudescimento, em escala mundial, do antissemitismo. Ressaltou: “Essa questão não diz respeito apenas aos judeus, mas a toda a sociedade”. E complementou: “E, como se constata ao longo da história, os ataques contra judeus são geralmente prenúncios de ataques sistêmicos, de maior alcance”.

O presidente da Conib teceu explicações sobre significado do termo antissemitismo e descreveu os diferentes tipos desta manifestação: o antissemitismo clássico, de origens religiosas e raciais; o antissionismo, muitas vezes associado com os grupos de extrema esquerda, que se voltam contra a legitimidade do estado de Israel e, por fim, o fundamentalismo islâmico.

Após abordar a legislação brasileira sobre a questão, Lottenberg explicou o histórico das normas que tratam da questão, desde a Lei Afonso Arinos, de 1951, passando pela Constituição de 1988, que está cumprindo 32 anos, a Lei Caó, em homenagem a seu autor, o Deputado Carlos Alberto de Oliveira e as leis que as modificaram. Discorreu a seguir sobre o marcante Caso Ellwanger, um editor e autor de livros antissemitas e de negação do Holocausto, cuja condenação foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal e cujo acórdão, de autoria do Ministro Maurício Corrêa, concluiu que o antissemitismo é uma prática de racismo e que a liberdade de expressão não consagra o direito à incitação do racismo.

Lottenberg tratou ainda da posição da Conib de combate ao antissemitismo e de ações em distintas esferas – de processos judiciais a parcerias pedagógicas.

Diana Brunstein mencionou que o racismo é, em última análise, a exclusão continuada do outro, do diferente. E falou das Leis de Nuremberg, de 1935, que fizeram dos cidadãos alemães judeus, estrangeiros em seu próprio país. “O racismo é uma questão cultural, fruto de uma construção ideológica”, disse. Ela salientou que historicamente as condutas racistas tendem a se repetir e citou uma história pessoal: sua avó, refugiada de guerra, com passagem por campo de concentração, ao chegar ao Brasil decidiu mudar o sobrenome. Ao finalizar sua participação, a juíza falou que a sua mensagem era de esperança e tomou-se por exemplo: a neta de uma refugiada, que fugiu da guerra, que passou por campo de concentração está aqui, sou uma juíza. “Que no futuro saibamos viver com as diversidades e saibamos colher os bons frutos”.