Facebook decide banir “qualquer conteúdo que negue ou distorça o Holocausto”

O Facebook decidiu banir postagens que neguem ou distorçam o Holocausto e começará a direcionar as pessoas que buscam informações sobre o genocídio nazista a fontes autorizadas

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a nova política nesta segunda-feira, como uma tentativa da empresa de tomar medidas contra as teorias da conspiração e desinformação. Zuckerberg disse em seu blog que acredita que a nova política alcançará o “equilíbrio certo” ao traçar os limites entre o que é e o que não é discurso aceitável

Leia abaixo o comunicado do Facebook:

A decisão veio em meio ao empenho de sobreviventes do Holocausto em todo o mundo durante o verão, que emprestaram suas vozes para uma campanha instando Zuckerberg, a tomar medidas para remover as postagens de negação do Holocausto do site de mídia social.

Coordenada pela Claims – Conference on Jewish Material Against Germany -, a campanha #NoDenyingIt usou o próprio Facebook para fazer com que os apelos dos sobreviventes a Zuckerberg fossem ouvidos, postando um vídeo por dia solicitando a remoção de grupos, páginas e postagens que negam o Holocausto como discurso de ódio.

Em seu blog, Zuckerberg disse: “Lutei comigo mesmo entre defender a liberdade de expressão e os danos causados ​​por minimizar ou negar o horror do Holocausto”, escreveu ele. “Minha opinião mudou à medida em que vejo dados mostrando um aumento na violência antissemita, assim como nossas políticas mais amplas sobre discurso de ódio”.

Zuckerberg havia despertado a ira da Claims Conference, com sede em Nova York, e outros com comentários em 2018 para o site de tecnologia Recode de que as postagens negando o genocídio nazista de 6 milhões de judeus não seriam removidas, se os negadores do Holocausto não estivessem agindo “intencionalmente” e desde que as postagens não promovessem dano ou violência”. Após protestos, Zuckerberg, que também é judeu, esclareceu que embora pessoalmente achasse “a negação do Holocausto profundamente ofensiva”, ele acreditava que “a melhor maneira de combater a linguagem ofensiva é com a linguagem correta”.

O American Jewish Committee (AJC) elogiou a iniciativa do Facebook: “A decisão do Facebook de proibir a negação do Holocausto e as postagens de distorção dos fatos é profundamente significativa”, disse o CEO da AJC, David Harris. “Com a falta de conhecimento cada vez maior nos EUA e em outros países sobre o assassinato sistemático nazista de seis milhões de judeus, especialmente entre os jovens, o poder e a credibilidade do Facebook são vitais para preservar os fatos relacionados ao genocídio mais documentado da história e ajudar a mantê-los protegidos diante de qualquer distorção”. “Não deve haver a menor dúvida sobre o que o regime nazista alemão fez, nem deve uma megatataforma como o Facebook ser usada por antissemitas para vender sua manipulação grotesca da história”.

“Esta é uma vitória significativa na batalha contra a negação do Holocausto, que, nada mais é do que puro antissemitismo”, destacou Harris.

A diretora de operações do Facebook Sheryl Sandberg respondeu a Harris afirmando: “A comunicação que tivemos com você e outros parceiros próximos foi muito importante, porque esses dados nos ajudam a melhorar nossas políticas. Nossa experiência com a AJC mostra que vocês são pessoas em quem podemos realmente confiar e aprender”.