Facebook e Instagram também cedem e excluem contas do rapper Wiley por postagens antissemitas

O Facebook decidiu remover as contas do rapper Wiley de sua plataforma e no Instagram devido a “repetidas violações” das regras das empresas.

“Não há lugar para discursos de ódio no Facebook e no Instagram, e não queremos isso em nossas plataformas”, afirmou o Facebook em comunicado. “Depois de inicialmente termos colocado as páginas de Wiley suspensas por sete dias, agora decidimos remover suas contas do Facebook e do Instagram por violações repetidas de nossas políticas”, acrescentou a nota.

Wiley, que foi suspenso do Twitter por uma semana, continuou a postar mensagens antissemitas dirigidas à comunidade judaica no Facebook sob seu nome real de Richard Kylea Cowie.

Após uma investigação do Comminity Security Trust, o astro do hip-hop foi identificado na semana passada como se estivesse em Roterdã.

Em uma série de mensagens postadas nas últimas 48 horas, Wiley tentou dobrar a maioria dos comentários antissemitas que ele havia feito no Twitter no final da semana passada.

Ele também mencionou o comediante judeu David Baddiel, a apresentadora de rádio da BBC Emma Barnett e o chefe da Universal Records David Joseph, sugerindo que eles respondessem seus comentários.

Escrevendo no Facebook nesta terça-feira, Wiley afirmou que a casa de sua irmã havia sido visitada por 12 policiais. Em uma aparente referência à comunidade judaica, ele escreveu: “Ouça Golders Green, vou ligar para minha irmã e vamos nos encontrar o mais rápido possível”.

A mensagem – que parece ter sido excluída – provocou uma resposta irritada de alguns.

Wiley também usou o Facebook para postar alegações de que “certas pessoas” viam os negros como cidadãos inferiores em sua sociedade.

Ele escreveu: “Nós, negros, sempre estivemos abaixo deles sob suas óticas e foi isso que me atingiu. Por que certas pessoas de outras raças nos querem abaixo deles?”.

Em outro post, acrescentou: “É isso que eles temem que um dia os negros estejam no controle. Então eles continuam fazendo de tudo para garantir que isso não aconteça”.

Em outros posts, Wiley escreveu: “Golders Green, sim, até breve. Eu irei por conta própria e quem chamou a polícia? Você é de Golders Green? Vou sentar com você em Golders Green”.

Os comentários pareciam sugerir que o rapper queria conversar com a comunidade judaica sobre suas mensagens antissemitas.
Depois que David Baddiel apareceu na Times Radio para discutir seus tuítes antissemitas, Wiley escreveu: “David Baddiel vem e fala comigo na minha cara. Vamos conversar!”.

Ele enviou a mesma mensagem para Emma Barnett depois que ela comentou, em seu programa da BBC Radio 5 Live na segunda-feira, sobre o impacto do antissemitismo em sua própria vida.

Ao dirigir-se ao presidente da Universal Records, David Joseph – que é judeu -, ele escreveu: “David Joseph, chefe da universal, fique quieto porque seu povo, assim como você, vem e fica com Stormzy (rapper britânico) depois que o criamos. Nós fazemos o trabalho, e não vocês”.

Wiley também citou supostos comentários racistas feitos pelo rabino sefardita Yitzhak Yosef em 2018 – quando ele mencionou uma passagem do Talmude para descrever os negros – como justificativa para seus discursos antissemitas.

Ele escreveu no Facebook: “Quero me sentar com o rabino que disse que os negros se parecem com macacos. Eu preciso fazer algumas perguntas a ele”.

Em resposta às postagens de Wiley em sua plataforma, um porta-voz do Facebook disse: “Não há lugar para discursos de ódio em nenhuma de nossas plataformas, incluindo ataques contra judeus. Excluímos conteúdo que viola nossas políticas dos perfis do Facebook e Instagram de Wiley e bloqueamos o acesso a eles por sete dias. Continuamos investigando a situação”.