Familiares das vítimas de atentado à AMIA pedem prisão perpétua para envolvido

Familiares das vítimas do atentado à AMIA, ocorrido em Buenos Aires em 1994, pediram a prisão perpétua para Carlos Telleldín, que está sendo julgado por ter fornecido o caminhão que, equipado com explosivos, foi usado no ataque terrorista que deixou 85 mortos e centenas feridos.

O pedido foi formalizado pelo advogado que os representa, Horacio Etcheverry, em sua argumentação no julgamento que ocorre virtualmente em decorrência das restrições da pandemia.

Na semana passada, a denúncia unificada da AMIA-DAIA pedia que Telleldín fosse condenado a 20 anos de prisão como participante do crime..

Perante o Tribunal Federal 3, Etcheverry disse que “não há dúvida” de que Telleldín “participou do ataque prestando uma ajuda essencial, que foi fornecer o veículo usado como carro-bomba”.

Em seu argumento, a defesa dos familiares das vítimas acusa Telleldín de crime de homicídio doloso duplamente qualificado por ódio racial e religioso, por ter sido cometido com a intenção de causar danos e que produziu 85 mortes e ferimentos em mais de 300 pessoas.

Apesar de apresentar divergência na classificação do crime, a denúncia dos familiares seguiu a mesma linha de argumentação da AMIA-DAIA. Nesse sentido, a defesa dos familiares das vítimas explicou que Telleldín sabia que o caminhão ia ser utilizado para um crime, por isso criou documentos falsos para a venda do veículo que tinha como comprador uma pessoa chamada Ramón Martínez com um documento de identidade que começava com 41 milhões , número que não existia em 1994, e com assinatura falsa.

Telleldín esteve presente na audiência realizada por videoconferência. O julgamento começou em maio do ano passado, foi interrompido em março pela pandemia de coronavírus e foi retomado virtualmente reiniciado em junho.

Na próxima quarta-feira será a vez dos promotores da AMIA, Roberto Salum, Santiago Roldán e Santiago Eyherabide, e o processo será concluído com a defesa de Telleldín, a cargo das defensoras oficiais Verónica Blanco e Verónica Carzoglio.

As partes estimam que antes do final do ano será conhecido o veredicto dos juízes Andrés Basso, Javier Ríos e Fernando Canero.

Este é o segundo julgamento sobre o atentado à AMIA, visto que o primeiro julgamento ocorreu entre 2001 e 2004, mas foi anulado depois de ter sido apurada a existência de irregularidades na investigação.

Telleldín ficou detido por 10 anos na prisão de Devoto.