Fernando Lottenberg fala sobre antissemitismo no Brasil e na América Latina em evento da ADL

O presidente da Conib, Fernando Lottenberg, participou de um painel sobre antissemitismo, em evento da da Liga Anti-Difamação (ADL), nos Estados Unidos. A União Europeia pesquisou recentemente suas principais comunidades judaicas sobre suas experiências de antissemitismo e obteve respostas surpreendentes. As comunidades judaicas latino-americanas também estão enfrentando desafios à sua capacidade de viver aberta e livremente como judeus. O painel reuniu líderes para uma discussão de questões críticas enfrentadas por suas comunidades e como elas estão respondendo. Além de Lottenberg, participaram do painel Jeffrey Liszt, sócio da ALG Research e Hanna Luden, diretora da CIDI (Centro para Informação e Documentação de Israel), Michael Schudrich, Rabino Chefe da Polônia. Como moderadora, Sharon Nazarian, vice-presidente senior de Relações Internacionais da ADL.

Na avaliação de Lottenberg, apesar de algum aumento no antissemitismo, “a situação no Brasil é positiva, comparada com a de outros países”.

Usando um índice de 11 perguntas que serviu de referência para pesquisas anteriores em todo o mundo desde 1964, a pesquisa realizada com mais de 9.000 adultos constatou que atitudes antissemitas na Argentina, Brasil, Polônia, Rússia, África do Sul e Ucrânia viram aumentos acentuados desde a última pesquisa.

A pesquisa da ADL mostrou que no Brasil, em 2019, 70% dos entrevistados acham que os judeus são mais leais a Israel do que ao país em que vivem; 38% acreditam que têm muito poder no mundo dos negócios; 38% pensam que possuem muito poder nos mercados financeiros internacionais. Além disso, 63% acham que os judeus falam demais sobre o que aconteceu no Holocausto; 27% acreditam que os judeus não ligam para o que acontece a outras pessoas, só aos do seu povo; também 27% pensam que têm muito controle nos assuntos internacionais globais; 14% concordam que possuem muito controle sobre o governo dos EUA.

Em contrapartida, apenas 16% dos entrevistados acham que os judeus se acham melhores do que os outros; e 16% acham que possuem muito controle sobre a mídia. Já 25% pensam que os judeus são responsáveis pela maioria das guerras mundiais e 39% pensam que os judeus são odiados por causa da maneira como se comportam.

A pesquisa mostrou também, em resposta a questões paralelas, que 77% dos brasileiros entrevistados não apoiam o movimento BDS. E a maioria ( 66%) tem opinião favorável a Israel do que à Palestina (58%). Do grupo entrevistado 73% declararam ter opinião favorável aos judeus, contra 13% que admitiram possuir opiniões desfavoráveis.

Dados de 2014 registraram os seguintes índices para as mesmas perguntas, respectivamente: 42%,39%, 34%, 57%, 21%, 29%,17%, 19%, 21%, 13%, e 27%.

Veja a pesquisa completa.