Fernando Lottenberg fala sobre sua indicação como Comissário para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo

Em entrevista à CONIB, Fernando Lottenberg, ex-presidente da CONIB e atual presidente do seu Conselho Consultivo, falou sobre a sua indicação, pelo secretário-geral da OEA, Luis Almagro, para a função de Comissário para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo. “Vai ser um trabalho bastante relevante, estou animado para desempenhar essas funções e acredito que a experiência da CONIB junto com as comunidades latino-americancanas e também dos EUA e Canadá vão contribuir para que essa função seja relevante e importante”. Assista ao vídeo abaixo.
Sobre a importância do cargo:
A importância está no reconhecimento, por parte da Organização dos Estados Americanos, na pessoa de seu Secretário geral, Luis Almagro, de que o antissemitismo precisa ser enfrentado, em termos continentais. Baseando-se nas experiências de outras organizações internacionais – como a União Europeia – e de países das Américas, como os Estados Unidos e o Canadá, a OEA passa a ter uma instância própria para tratar dessa questão.
Atribuições da função:
Cabe ao Comissário monitorar e enfrentar incidentes antissemitas, consolidar os números, propor medidas de educação e de sanção. Pretendemos, por exemplo, estimular os países da região a adotar a definição de antissemitismo da IHRA; combater o discurso de ódio, incentivar as redes sociais a tomar medidas de moderação de conteúdo e disciplinar os posts automatizados de caráter intolerante e discriminatório; disseminar o ensino sobre o Holocausto nos sistemas escolares da região, entre outras medidas.
Desafios da nova missão no Brasil:
No Brasil, temos visto uma escalada de comportamentos neonazistas, em linha com o que ocorre em outros países, nos quais movimentos supremacistas brancos têm vindo a público com maior frequência. De outra parte, após o último conflito entre Israel e o Hamas, tivemos atitudes discriminatórias por parte daqueles que, a pretexto de criticarem políticas de governos israelenses, acabam por demonizar e deslegitimar Israel, responsabilizando ainda, coletivamente, a comunidade judaica pelo que acontece ali. É um quadro preocupante, para o qual devemos estar atentos e vigilantes.
O cargo foi criado recentemente, sou o primeiro a ocupá-lo, de modo que estarei focado, em um primeiro momento, em estruturar sua forma de atuação, com pessoas e recursos, para que possamos alcançar bons resultados no curto e no médio prazo.