FIRS entrega moção de repúdio ao presidente da Assembleia Legislativa do RS

A diretoria da Federação Israelita do Rio Grande do Sul entregou, na manhã desta quarta-feira, 27 de novembro, uma moção de repúdio ao presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Luís Augusto Lara, contestando a exposição intitulada “Palestina: da Limpeza Étnica à Resistência e Reconhecimento Internacional”, iniciada no dia 25 de novembro, na sede do Poder Legislativo do RS. A exposição foi promovida pelo deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) em parceria com a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e com o Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino (ABCDMRR/SP).

Conforme o presidente da FIRS, Sebastian Watenberg, o material exposto promove a cizânia e aprofunda o conflito. Busca a importação do conflito para uma sociedade onde os valores da tolerância e o respeito às diferenças prevalecem. “Não é um ato de censura, mas queremos mostrar que é preciso ter noção de responsabilidade quando se autoriza uma exposição como essa, que incita o discurso de ódio”, destaca Watenberg.

No momento da entrega do documento, Luís Augusto Lara afirmou que a iniciativa em promover a exposição na Assembleia foi exclusivamente do deputado Mainardi e não reflete o pensamento da Casa Legislativa. Lara informou que irá se manifestar formalmente sobre o fato, com o qual demais parlamentares não compactuam.

A moção ressalta que “a demonização do Estado de Israel e a negação ao povo judeu do direito à autodeterminação em sua terra ancestral constituem a faceta mais moderna do antissemitismo. O movimento de boicote irrestrito aos judeus de Israel (BDS) é considerado antissemitismo em diversos países, incluindo Alemanha e Estados Unidos. Este movimento não poderia de forma alguma povoar o ambiente democrático e normativo da Assembleia Legislativa. As narrativas falsas expostas nestes materiais deseducam e criam a cultura do ódio deixando a paz em um horizonte ainda mais longínquo”.

Confira abaixo a moção da íntegra.

MOÇÃO DE REPÚDIO

Repudiamos e lamentamos profundamente a exposição intitulada “Palestina: da Limpeza Étnica à Resistência e Reconhecimento Internacional”, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, iniciada no dia 25 de novembro de 2019, e promovida pelo Dep. Luiz Fernando Mainardi (PT), em parceria com a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e com o Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino (ABCDMRR/SP).

O material exposto promove a cizânia e aprofunda o conflito. Busca a importação do conflito para uma sociedade onde os valores da tolerância e o respeito às diferenças prevalecem. Há elementos de discurso de ódio inadmissíveis e mentiras históricas crassas. A demonização do Estado de Israel e a negação ao povo judeu do direito à autodeterminação em sua terra ancestral constituem a faceta mais moderna do antissemitismo. O movimento de boicote irrestrito aos judeus de Israel (BDS) considerado antissemitismo em diversos países, incluindo Alemanha e Estados Unidos. Este movimento não poderia de forma alguma povoar o ambiente democrático e normativo da Assembleia Legislativa. As narrativas falsas expostas nestes materiais deseducam e criam a cultura do ódio deixando a paz em um horizonte ainda mais longínquo.

A solidariedade e o apoio ao pleito de autodeterminação palestina são legítimos. Porém pregar a destruição do Estado de Israel, transformando milhões de judeus israelenses em apátridas ou cidadãos de segunda classe, como visto nesta exposição, é ilegítimo, sectário e supremacista nos moldes das piores ideologias genocidas do Século XX.

É inaceitável que o Parlamento Gaúcho chancele este escárnio difamatório, ofensivo e acima de tudo destrutivo para uma perspectiva de paz. As nações democráticas devem apoiar a normalização das relações entre israelenses e palestinos que propiciem uma realidade melhor e mais próspera. O Parlamento Gaúcho é o topo de nossa democracia e não pode se tornar um palco para um espetáculo de difamação e antissemitismo como nesta exposição promovida pelo Deputado Mainardi e demais entidades já nominadas.

De se consignar, por derradeiro, que pregar-se o boicote a uma nação amiga, de cuja criação o Brasil foi peça fundamental por meio da atuação firme de um gaúcho, Osvaldo Aranha, e com a qual o Brasil mantém sólidos e longos laços diplomáticos, dentro de um espaço público como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, extrapola o direito à liberdade de expressão, e afronta os princípios basilares da diplomacia.

Sebastian Watenberg

Presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS)