FIRS promove evento online com o presidente da Conib, Fernando Lottenberg

A FIRS – Federação Israelita do Rio Grande do Sul promoveu na noite desta quarta-feira, 28 de maio, uma live com o presidente da CONIB – Confederação Israelita do Brasil, Fernando Lottenberg. O evento online, que integra o projeto “FIRS Convida” da entidade gaúcha, foi transmitido pela página oficial da FIRS no Facebook e teve a condução das perguntas pelo presidente da Federação, Sebastian Watenberg, pelo diretor da Federação, Fabio Lavinsky e por Ariel Krok, do grupo de Jovens Diplomatas do Congresso Judaico Mundial.

A Federação tem recebido convidados semanalmente durante o projeto online e o debate com o presidente da CONIB pode ser conferido clicando aqui. Temas diversos foram explorados pelos entrevistadores e Lottenberg respondeu a todas as perguntas envolvendo representatividade, polarização política, pautas em tempo de pandemia, dentre outros assuntos. “Toda a audiência e envolvimento de pessoas da comunidade e fora dela que tivemos durante o evento de ontem refletem a grandiosidade da participação do Fernando. Foi uma conversa de alto nível, um conteúdo denso e análises realmente importantes para todos os aspectos que envolvem a atuação de entidades fortes como a CONIB. O que tivemos ontem foi uma verdadeira aula de representatividade, de articulação política, de respeito às identidades e culturas, e de diálogo inter-religioso. Momentos como o que vivemos estão extremamente ligados a incertezas para as comunidades identitárias e aos riscos de comparações e declarações rasas quanto aos contextos históricos, portanto são extremamente urgentes agendas como essa: que reúnem entidades que representam e articulam proteção às comunidades”, avaliou o presidente da FIRS, Sebastian Watenberg.

A temática da live foi dedicada ao desafio de representar uma comunidade judaica plural. Fernando fez questão de mostrar o racional que está por trás da liderança e da gestão da CONIB, que valoriza e estimula a pluralidade de manifestações. Ele também destacou o trabalho incessante das entidades em posicionamentos de repúdio ou condenação de declarações e ações que ferem a comunidade judaica.

Inicialmente, foi feita uma explanação inicial dos princípios e valores que norteiam a CONIB. Na sequência, os entrevistadores fizeram perguntas variadas para endereçar temas que geraram discussões e debates na comunidade e na sociedade brasileira, por conta de determinados posicionamentos da CONIB. “Infelizmente, a gente se vê em uma sequência de reações a várias personalidades do setor político que nos forçam a tomar uma posição. Parece que há um repertório limitado das autoridades ao buscar comparação com o que é incomparável. Estamos em um momento de polarização em que a comunidade judaica está na vitrine desde o período eleitoral, e a representatividade só faz sentido se nos manifestarmos sempre, nos mantermos firmes aos nossos valores. Não aceito tentarem nos colocar em um dos lados do espectro político”, afirmou Lottenberg.

Outros temas estiveram ligados à utilização exacerbada de símbolos Judaicos e nacionais, como, por exemplo, a Bandeira de Israel em uma manifestação considerada como antidemocrática. A banalização e utilização de referências sobre a temática do Holocausto, por parte de integrantes do governo, entre vários outros tópicos, também figuraram na conversa. Ainda, a legitimidade da representação em tempos de uma frenética vida nas redes sociais, com vários grupos falando em nome dos judeus, foi pauta no bate-papo virtual.

Fernando fez questão de destacar que a CONIB tem por missão cuidar dos interesses da comunidade judaica brasileira, e que manifestações individuais são bem-vindas, mas a CONIB é quem fala perante as autoridades formalmente constituídas do país. Um exemplo importante foi a situação que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passou, com manifestações antissemitas públicas no Facebook. A CONIB conseguiu a retirada da postagem em 48 horas, um tempo recorde.

Foi uma excelente oportunidade para mostrar que a comunidade tem muito mais coisas em comum do que diferenças, ou seja, seus valores e princípios. Lottenberg ainda encerrou com a mensagem de que há a esperança de que esta pandemia, que “colocou a todos, sim, no mesmo barco”, torne todos pessoas melhores do que quando todo o período iniciou.