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Fragmentação dos votos não mudará impasse político

Em muitos aspectos, o resultado da eleição de Israel já é claro. O próximo governo será conservador – independentemente de ser ou não liderado pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu. A direita israelense quer legalizar os assentamentos na Cisjordânia e limitar os poderes da Suprema Corte, dando ao Parlamento o poder de anular decisões com maioria simples. A “revolução constitucional” é um ponto de tensão com os partidos de centro.

Dos 39 partidos, poucos ultrapassarão a cláusula de barreira e terão lugar no Parlamento de 120 cadeiras. A fragmentação diminui a chance de qualquer um sair com maioria absoluta das urnas. Então, o que conta são as alianças. Mas mesmo uma união entre esquerda e centro contra Netanyahu não obteria votos suficientes para derrubá-lo – pesquisas sugerem que eles teriam 50 assentos, mas precisam de 61 para destituí-lo. Para que Netanyahu perca o cargo, todo o espectro político precisaria se unir contra ele, o que é quase impossível.

A política israelense tendeu para a direita nas últimas décadas. Segundo pesquisas, 55% dos eleitores apoiam partidos neoliberais e conservadores, sionistas religiosos e judeus ultraortodoxos. Esses partidos são contra a separação entre Estado e religião e a favor de anexar os territórios palestinos.

Cerca de 25% dos eleitores apoiam partidos de centro, que defendem um Estado civil e secular, mas compartilham a agenda econômica e de defesa da direita. E 20% dos eleitores apoiam a esquerda, favorável às políticas de bem-estar generosas, à negociação com os palestinos e à agenda social progressista.

Qualquer coalizão que surgir daí, provavelmente, será instável. Isso significa que, independentemente de Netanyahu conseguir ou não liderar o governo mais uma vez, Israel continuará enfrentando o mesmo impasse político, aumentando as perspectivas de uma outra eleição não muito distante no futuro.

Noa Balf é pesquisadora do Haifa Feminist Institute e do Gildenhorn Institute for Israel Studies.

Foto: Ammar Awad/REUTERS