Gantz: Nasrallah é nosso maior inimigo ao norte e o maior problema do Líbano

O ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, avaliou nesta segunda-feira que uma eventual guerra futura de Israel contra o Hezbollah seria mais difícil diante da prática do grupo terrorista de armazenar armas em áreas civis, como ficou claro a partir da explosão devastadora no porto de Beirute na semana passada que aparentemente foi causado por material explosivo armazenado incorretamente.

“Vimos o desastre que ocorreu no Líbano. Imagine se isso fosse multiplicado e ocorresse nos esconderijos de armas do Hezbollah, que estão em todas as cidades e vilas libanesas”, alertou Gantz ao poderoso Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset.

A grande explosão da última terça-feira no porto de Beirute matou quase 200 pessoas, feriu milhares e deixou quase um terço de milhão de desabrigados.

Embora uma investigação completa sobre o incidente esteja em andamento, relatórios iniciais do Líbano indicam que a explosão foi desencadeada por um incêndio menor que atingiu um depósito e provocou a detonação de 2.750 toneladas de nitrato de amônio.

O ministro disse que a prática do Hezbollah de manter armas em locais civis representa um risco para os cidadãos libaneses e um desafio para as Forças de Defesa de Israel, que veem o grupo terrorista como seu principal inimigo militar na região.

“Embora Nasrallah seja nosso maior inimigo no norte, ele é o maior problema para o Líbano”, disse Gantz.

“No Líbano, em uma mesma casa, há um quarto de hóspedes e uma sala de mísseis. E quando esse míssil explode, o quarto de hóspedes não fica inteiro, e a sociedade civil libanesa acaba pagando caro. Como uma rede de segurança, estamos lutando contra inimigos que mantêm armas e operam em locais civis. Se não tivermos escolha a não ser lutar, isso terá consequências terríveis”, destacou o ministro.

Gantz fez seus comentários na abertura de uma reunião do Comitê de Relações Exteriores e Defesa sobre a continuidade do rastreamento do serviço de segurança do Shin Bet aos movimentos de cidadãos israelenses por meio da localização de seus celulares e outros dados digitais, como parte da luta do governo contra a pandemia do coronavírus. A discussão sobre a manutenção do programa de monitoramento foi fechada ao público.

Citando avaliações de especialistas, o Canal 13 israelense afirmou que o Hezbollah provavelmente pretendia usar o estoque de nitrato de amônio, que causou a grande explosão no porto de Beirute na terça-feira, contra Israel em uma “Terceira Guerra do Líbano”.

A avaliação da emissora foi ao ar depois que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, fez um discurso negando “categoricamente” que sua organização tivesse armazenado quaisquer armas ou explosivos no porto de Beirute. “Eu gostaria de excluir absoluta e categoricamente qualquer responsabilidade nossa (na explosão) no porto. Não estocamos armas, mísseis, bombas ou rifles, ou mesmo uma bala ou nitrato de amônio”, disse Nasrallah.

Israel não acusou formalmente o Hezbollah de ter estocado o material que causou a explosão no porto de Beirute.

O nitrato de amônio é usado na fabricação de explosivos e também na fabricação de fertilizantes. O produto foi responsável por grandes acidentes industriais no passado e também o que causou a explosão que destruiu um prédio federal em Oklahoma City em 1995. No ano passado, o Mossad avisou agências de inteligência europeias de que o Hezbollah estava armazenando na Alemanha e reino Unido nitrato de amônio para fabricar bombas e usá-las em atentados em Londres, Chipre e outros lugares.

O Canal 13 observou que “o material que explodiu no porto não é novo para Nasrallah e o Hezbollah”.

A emissora detalhou as conexões anteriores do Hezbollah com o nitrato de amônio, incluindo incidentes na Alemanha e no Reino Unido, ambos amplamente relatados na época, nos quais seus agentes foram supostamente encontrados com quantidades substanciais do material. Em Londres, em 2015, após uma denúncia do Mossad, a inteligência britânica localizou depósito do Hezbollah com 3 toneladas de nitrato de amônio em sacos de farinha, lembrou emissora.

Aviso semelhante levou à descoberta na Alemanha de local em que agentes do Hezbollah mantinham quantidade de nitrato de amônio suficiente “para explodir uma cidade”, disse a emissora. A Alemanha posteriormente baniu o Hezbollah como organização terrorista.

“Isso é o que Nasrallah pretendia fazer na Europa”, disse p Canal 13. “Em relação ao que foi armazenado no porto de Beirute, a avaliação é de que Nasrallah pretendia usá-lo na Terceira Guerra do Líbano”. (Israel lutou duas guerras com o Líbano – em 1982, e, após um ataque na fronteira do Hezbollah em que soldados israelenses foram mortos e sequestrados, em 2006).