“Ginsburg será sempre uma inspiração para juízes de todo o mundo”, diz presidente da Suprema Corte de Israel

A presidente da Suprema Corte de Israel, Esther Hayut, homenageou nesta segunda-feira a juíza da Suprema Corte dos EUA, Ruth Bader Ginsburg, que morreu na sexta-feira (18) aos 87 anos.

“A juíza Ruth Bader Ginsburg foi uma jurista inovadora e uma inspiração para juízes de todo o mundo”, disse Hayut em comunicado. “Ela é a segunda mulher indicada para a Suprema Corte americana e a primeira judia designada para a função”.

A visita de Bader Ginsburg à Suprema Corte de Israel há dois anos foi um “momento inesquecível”, disse Hayut, que é a terceira mulher a ocupar o cargo de presidente da Suprema Corte de Justiça de Israel.

“Uma pessoa ímpar, cujo trabalho abrangeu comunidades inteiras e atravessou gerações e gêneros. Assim foi a juiza Bader Ginsburg”, disse Hayut. “Ela manteve a defesa de princípios não apenas para membros de sua geração, mas também para jovens mulheres e homens que aprenderam com ela sobre a importância da igualdade e da defesa dos direitos humanos”.

“Não tenho dúvidas de que o legado desta maravilhosa mulher e juíza, e os frutos de seu trabalho, continuarão a acompanhar a todos nós por muitas gerações”, disse Hayut.

Ginsburg morreu na sexta-feira aos 87 anos de câncer pancreático. Ela serviu à Suprema Corte dos EUA por 27 anos. Foi indicada para a função em 1993 pelo presidente Bill Clinton.

“Eu me junto ao povo americano no luto pela morte de Ruth Bader Ginsburg, uma das grandes líderes do Judiciário de nosso tempo”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Ela tinha orgulho de sua herança judaica e o povo judeu sempre terá orgulho dela”, escreveu ele no Twitter.

Netanyahu divulgou seu comunicado logo após o fim do feriado de Rosh Hashaná em Israel.

Ginsburg foi clara sobre a importância da tradição judaica em sua vida e carreira, influenciando-a na tomada de decisões.

“Sou uma juíza, nascida, criada e orgulhosa de ser judia”, disse ela em um discurso ao Comitê Judaico Americano após sua nomeação em 1993 para a Suprema Corte. “A demanda por justiça perpassa toda a história e tradição judaicas”.

Em seus 27 anos na Corte, Ginsburg se destacou não apenas como a líder da ala liberal, mas como um fenômeno cultural pop e ícone feminista.

Cartazes em sua homenagem e flores foram deixados em um memorial improvisado em frente à Suprema Corte dos Estados Unidos nesta segunda-feira (21).

O American Jewish Committee (AJC) lamentou a morte da juíza Ruth Bader Ginsburg, destacando a importância de seu trabalho no cenário jurídico americano por mais de meio século, incluindo sua atuação no Tribunal de Apelações dos EUA para o Distrito de Columbia (1980-1993) e na Suprema Corte (1993-2020).

“Sua luta pela igualdade de gênero – uma defesa que mal existia antes dela – por si só a colocaria nas primeiras fileiras da função jurídica americana”.

“Além das posições que ela assumiu e das opiniões justamente fundamentadas que escreveu, sua dedicação à causa da lei e da justiça marcaram época. Nem a doença, nem a tragédia familiar a impediram de cumprir seus deveres de juíza e, em defesa da justiça”.

O Congresso Mundial Judaico (CJM) também lamentou a morte de Ginsburg.

O presidente do Congresso Mundial Judaico, Ronald S. Lauder, afirmou: “Enquanto os judeus nos Estados Unidos e no mundo recebiam a esperança que vinha com a primeira noite de Rosh Hashanah, ficamos sabendo da perda devastadora da juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg”.”A juíza Ginsburg foi pioneira na defesa da igualdade de gênero e abriu o caminho para a atuação das mulheres na justiça e nos tribunais. Ela lutou com afinco para avançar e defender os direitos das mulheres e das minorias e, na tradição dos juízes Louis D. Brandeis e Benjamin Cardozo, incorporou o princípio de justiça igualitária para todos perante a lei, bem como o valor judaico de ‘tzedek, tzedek, tirdof” – ‘justiça, justiça é o que se deve perseguir”.

Três anos atrás, durante os serviços do Rosh Hashanah, Ginsburg compartilhou: “A religião judaica é uma religião ética. Ou seja, somos ensinados a fazer o que é certo, a amar a compaixão, a fazer justiça, não porque haverá qualquer recompensa no céu ou punição no inferno. Vivemos corretamente porque é assim que as pessoas devem viver e não esperamos qualquer prêmio por isso”.

“Que possamos seguir seus passos firmes, que possamos ouvir suas palavras. A vida da juíza Ginsburg é um legado e um testamento, e sua memória será sempre uma bênção e uma lição de vida. Ao entrarmos em um novo ano, que sua coragem, resiliência e sabedoria nos guiem a todos. Em nome do Congresso Judaico Mundial, expresso minhas mais profundas condolências à família, amigos e colegas da juíza Ginsburg”, concluiu Lauder.

A juíza da Suprema Corte dos EUA não era conhecida por sua observância de rituais, mas falava frequentemente sobre como os valores judaicos a inspiravam e era ativa em causas e organizações judaicas.

O The Guardian chegou a dizer que a juíza da Suprema Corte “abandonou sua religião”.

Isso não poderia estar mais errado.

Embora Ginsburg não fosse conhecida pela observância dos rituais judaicos, ela falava frequentemente sobre como os valores judaicos a inspiravam, e a influenciavam.

Ela mantinha uma mezuzá afixada na porta de seu escritório e um quadro na parede dizia “Tzedek, tzedek tirdof”, a inscrição hebraica da Torá que significa “Justiça, justiça você deve perseguir”.