Pogrom

Palavra russa que significa “causar estragos, destruir violentamente”. Os pogroms eram ataques maciços e organizados contra comunidades inteiras, que destruíam casas, lojas e templos religiosos. Historicamente, o termo é usado para denominar atos coletivos de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, tendo como pretextos ressentimentos econômicos, sociais, políticos e religiosos. A palavra foi empregada pela primeira vez em 1821, após um violento surto antissemita na cidade de Odessa. Os ataques aconteceram em decorrência da morte do patriarca Grego Ortodoxo Gregório 5º, em Istambul. O religioso foi morto por turcos otomanos, mas rapidamente espalhou-se a história de que teriam sido os judeus os que arremessaram seu corpo ao mar.

O termo passou a ser mais conhecido após as ondas de violência contra comunidades judaicas no Império Russo (que também incluíam regiões atuais da Ucrânia e da Polônia) entre 1881 e 1884, quando mais de 200 ataques foram realizados. A morte do Czar Alexandre 2º desencadeou a violência. Os judeus foram falsamente acusados pelas autoridades como os responsáveis pela conspiração. Os perpetradores dos pogroms os organizavam localmente, algumas vezes com o incentivo do governo e da polícia. Um dos mais conhecidos é o pogrom de Kishinev (atualmente na Moldova), em 1903. Os judeus foram falsamente acusados de assassinar um menino de 6 anos para usar seu sangue na fabricação de pão ázimo (matzá) para a Páscoa Judaica.

A tese do assassinato ritualístico também estava por trás do mais violento dos ataques coletivos contra comunidades judaicas da Rússia. Ele ocorreu em 1905 quando, em dois dias, 2,5 mil judeus foram mortos na cidade de Odessa. Uma nova onda de pogroms ocorreu depois da Revolução Russa, em 1917. Na maioria dos casos, aldeias judaicas sofreram ataques de integrantes do Exército Branco, apoiadores do czarismo que viam os judeus como responsáveis por um “complô judaico-bolchevique”.

Após a subida dos nazistas ao poder na Alemanha, em 1933, uma nova onda de pogroms foi realizada na Europa. O mais famoso aconteceu em 1938, na chamada Noite dos Cristais. Houve, ainda, um ataque após a Segunda Guerra Mundial, em 4 de julho de 1946, em Kielce, na Polônia. Moradores da cidade massacraram alguns sobreviventes do Holocausto que retornavam à cidade e tentavam reaver propriedades já ocupadas pela população local. A violência começou após falsos rumores de que os judeus haviam raptado uma criança cristã para sacrificá-la em um ritual religioso. Pelo menos 42 pessoas foram mortas.

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