“Governo de ampla unidade é a única opção”, diz Rivlin antes de se reunir com Gantz e Netanyahu

Após finalizar as consultas aos partidos e antes de se reunir hoje com os representantes do Likud, Benjamin Netanyahu, e do Azul e Branco, Benny Gantz, o presidente Reuven Rivlin fez um apelo aos líderes em favor da formação de um “governo de ampla unidade”.

“Um governo de ampla unidade é a única opção”, disse Rivlin, ao comentar que recebeu 46 recomendações em favor de Gantz e 40 de apoio a Benjamin Netanyahu. Mais tarde, o número de apoiadores de Gantz foi reduzido para 43, depois que três membros da Lista Árabe retiraram sua recomendação.

Com o apoio de partidos políticos, o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, conta com uma bancada de 55 cadeiras no Knesset e o Azul e Branco de Gantz com 54 – ambos sem a maioria de 61 cadeiras (das 120) no Parlamento.

Até o momento desta edição, Gantz rejeitava um convite para se reunir com o primeiro-ministro “sem pré-condições”. Netanyahu fez o convite após se reunir com membros de partidos ultraortodoxos, que teriam concordado com a formação de uma coalizão como unidade única para negociar os termos do novo governo juntos.

Netanyahu instou Gantz a formar um governo de unidade nacional sob sua liderança que inclua todos os membros de seu bloco religioso de direita. O líder do Azul e Branco já havia recusado a oferta, observando que seu partido conquistou mais cadeiras no Knesset e, portanto, deveria liderar essa coalizão.

Gantz insistiu que Netanyahu, que está enfrentando uma acusação iminente por corrupção, deixe o cargo como condição para a formação de uma aliança entre o Likud e o Azul e Branco. O partido de Gantz também quer um governo sem os ultraortodoxos e sem os “extremistas de direita”.

“Alguns dias antes de Rosh Hashaná, desejo a todos, a todo o povo de Israel, um feliz ano novo. Um ano de segurança, prosperidade e unidade. Por que unidade? Porque essa é a ordem da vez. Essa também é a mensagem clara que o povo nos deu nesta eleição”, disse hoje Netanyahu.”Vamos deixar claras algumas questões: queríamos formar um governo de direita. Infelizmente, isso não foi possível porque não recebemos cadeiras (maioria) suficientes para isso. De sua parte, Gantz também queria formar um governo. Mas ele também não recebeu assentos suficientes para isso. Portanto, o único governo que pode ser formado é um governo de ampla unidade entre nós. A única maneira de chegar a esse governo é sentar e conversar”, destacou o premier.

“Se falarmos com a mente e o coração abertos, podemos formar um governo bom e amplo para Israel. E é isso que o povo espera de nós”, insistiu Netanyahu.

No atual quadro político nem o Likud nem o Azul e o Branco têm o apoio necessário para formar uma coalizão sozinhos. Nas eleições de terça-feira (17), o Azul e Branco obteve o maior número de votos, conquistando 33 cadeiras, enquanto o Likud ganhou 31.

Na posição de pêndulo da balança, o Israel Nossa Casa (Yisrael Beytenu), de Avigdor Liberman, que prometeu forçar uma coalizão entre o Likud e o Azul e o Branco – com oito cadeiras conquistadas – não recomendou nenhum candidato a primeiro-ministro. Gantz deve se reunir com Liberman, na tarde desta segunda-feira, antes de seu encontro com Rivlin.

O presidente tem o poder de nomear o próximo primeiro-ministro de Israel entre os mais votados na eleição. O primeiro-ministro designado deve então tentar formar uma coalizão capaz de obter o apoio da maioria dos membros do Knesset.

Depois de escolhido, o futuro premier tem 28 dias para apresentar uma coalizão e obter um voto de confiança do Knesset. O presidente pode estender esse período por até 14 dias.

Se o candidato falhar, o segundo candidato mais votado terá chance de formar uma coalizão. Se o segundo candidato fracassar, novas eleições serão convocadas, a menos que qualquer um dos 120 eleitos tenha o apoio de 61 legisladores para formar uma coalizão.

Espera-se que Rivlin tome uma decisão no final desta semana ou no início da próxima.