Guerra em Gaza para derrubar o Hamas é inevitável, diz Netanyahu

Após dois dias consecutivos de lançamento de foguetes de Gaza contra o território israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu advertiu que é “inevitável” num “futuro próximo” uma guerra para derrubar o Hamas.

“Não haverá outra escolha a não ser iniciar uma operação, uma guerra contra as forças terroristas em Gaza, uma vez que o Hamas não exerce sua soberania na Faixa e não impede ataques (contra Israel)”, disse o primeiro-ministro em entrevista à emissora pública Kan.

“Temos uma situação em que um grupo terrorista não domina, ou não quer dominar, facções criminosas”, disse Netanyahu referindo-se a outros grupos terroristas que operam na região.

Foguetes foram disparados contra cidades e comunidades israelenses várias vezes na semana passada e nos dois últimos dias. A maior parte deles foi interceptada pelo sistema de defesa Iron Dome, outros caíram em campos abertos, levando as Forças de Defesa de Israel (IDFs) a reagirem, lançando ataques aéreos contra alvos do Hamas, em Gaza. Na noite de terça-feira, dois foguetes foram lançados em Ashdod durante comício de campanha de Netanyahu, forçando o primeiro-ministro a interromper seu discurso e buscar abrigo.

“Os cidadãos de Israel sabem muito bem que costumo agir de forma responsável e sensata, e iniciaremos uma operação na hora certa”, advertiu Netanyahu. O premier destacou que uma operação militar é “o último recurso”. “Não ponho em perigo nossos soldados e civis para receber aplausos”, disse ele.

Na entrevista, Netanyahu também abordou a possibilidade de uma reunião iminente entre o presidente dos EUA, Donald Trump e seu colega iraniano Hassan Rouhani, “Eu tenho alguma influência sobre Trump. Mas não posso dizer a ele com quem deve se encontrar. E não há ninguém que tenha defendido uma estratégia ofensiva contra o Irã mais do que ele”.

Trump cada vez mais sinaliza abertura a uma reunião com o presidente iraniano. Rouhani, enquanto isso, exigiu o alívio das sanções dos EUA como pré-condição para as negociações com a Casa Branca.

A entrevista também se centrou na eleição do dia 17 e na retórica cada vez mais firme do Likud contra a minoria árabe de Israel e a mídia.

Netanyahu também comentou uma mensagem de campanha atribuída a ele e postada no Facebook em que teria dito: “Os árabes querem nos aniquilar a todos”. Netanyahu disse que a mensagem foi um erro de um funcionário da campanha e afirmou: “Tenho amigos nos países árabes e respeito por qualquer pessoa”. A página com a mensagem foi suspensa por 24 horas depois que o Facebook considerou que “houve uma violação da nossa política contra o discurso de ódio”.