Há 75 anos, Berlim se rendia e a guerra chegava ao fim na Europa

Em 8 de maio de 1945, a queda de Berlim selou o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Após duas semanas de intenso combate, o Exército Vermelho soviético, apoiado por unidades polonesas, tomava definitivamente a cidade, sede do governo nazista. Divisões do exército de Hitler, que estavam cercadas em outras regiões do país e não conseguiam retornar para ajudar na defesa da cidade, já tinham se rendido.

Contribuíram para a derrota da Alemanha nazista soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que desembarcaram na Itália para lutar na Segunda Guerra Mundial contra o nazifascismo. Entre os mais de 25 mil combatentes brasileiros, 25 eram judeus, segundo o livro “Os Soldados que Vieram de Longe”, de Israel Blajberg. Além dos 25 judeus na FEB, outros 17 atuaram no Exército e na Marinha.

O rompimento de relações diplomáticas do Brasil com os países do Eixo, anunciado ao final da Reunião de Chanceleres do Rio de Janeiro, em 28 de janeiro de 1942, tornou os navios brasileiros alvo de ataques dos submarinos alemães. Nos sete meses seguintes cerca de 19 navios mercantes brasileiros foram torpedeados na costa do país, causando centenas de perdas humanas. Nesse momento foi de fundamental importância a ação de patrulhamento do Atlântico Sul realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB), que mais tarde também iria atuar no front italiano.

A indignação provocada pelos torpedeamentos fortaleceu a campanha em favor da entrada do Brasil na guerra, da qual participavam diversas entidades, entre elas a União Nacional dos Estudantes (UNE). Em resposta aos apelos da sociedade, finalmente o Brasil decretou o estado de beligerância (22 de agosto) e a seguir o estado de guerra (31 de agosto de 1942) contra a Alemanha e a Itália. No mês seguinte, o governo criou a Coordenação da Mobilização Econômica, com o propósito de coordenar o funcionamento da economia no contexto de emergência gerado pelo conflito mundial.

Iniciaram-se então as conversações sobre o envio de um contingente brasileiro à frente de combate. A formação de uma força expedicionária correspondia a um duplo projeto político de Vargas: de um lado, fortalecer as Forças Armadas brasileiras internamente e aos olhos dos vizinhos do Cone Sul, em especial a Argentina, e com isso garantir a continuação do apoio militar ao regime do Estado Novo; de outro lado, assegurar uma posição de significativa importância para o Brasil no cenário internacional, na qualidade de aliado especial dos Estados Unidos. Entretanto, as vitórias aliadas no norte da África, em novembro de 1942, reduziram consideravelmente a importância estratégica do Nordeste do Brasil e, por extensão, as possiblidades de reequipamento das Forças Armadas brasileiras.

Preocupado, Vargas insistiu com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, quando este visitou Natal em janeiro de 1943, no fornecimento do material bélico prometido pelos Estados Unidos e no interesse brasileiro em tomar parte ativa nos combates. Com a concordância de Washington, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi finalmente estruturada em agosto de 1943. Para seu comando foi convidado o general Mascarenhas de Morais.

Da criação da FEB até o embarque do 1° Escalão para a Itália transcorreu quase um ano. Nesse período, dedicado à preparação e treinamento das tropas, inúmeros foram os desencontros entre Brasil e Estados Unidos, desde os relativos à liberação do equipamento militar necessário para a atuação das forças brasileiras, até os decorrentes da ausência de uma definição quanto à área de atuação da FEB. Finalmente liberados os armamentos norte-americanos de que o Brasil necessitava no início de 1944, e superada a resistência britânica à presença de uma força brasileira no Mediterrâneo, o primeiro contingente de tropas brasileiras embarcou em 30 de junho de 1944 rumo à Itália. Ao longo dos oito meses seguintes, outros quatro escalões seguiram para o teatro de operações. Também a FAB se fez representar com um grupo de aviação de caça e uma esquadrilha de ligação e observação.

O envio da FEB e da FAB ao teatro de operações veio coroar um processo que se iniciara quase quatro anos antes, mas constituiu também o ponto de partida de uma nova etapa, qual seja, a da busca, por parte do governo brasileiro, de participação nos arranjos do pós-guerra que iriam definir uma nova ordem mundial.

A queda da capital nazista em 15 dias de luta contra o Exército Vermelho marcou o fim da Segunda Guerra Mundial em território europeu.

Na tarde de 30 de abril de 1945, Adolf Hitler viu apenas uma saída: fugir da responsabilidade pela sua megalomania criminosa. O Exército Vermelho da então União Soviética invadiu o centro de Berlim, mas Hitler não queria cair vivo nas mãos dos soviéticos.

Em seu bunker, localizado a 12 metros de profundidade no terreno da Chancelaria do Reich, onde vivia o chanceler da Alemanha, o ditador nazista e a sua esposa Eva Braun suicidam–se. Os últimos seguidores queimam os seus corpos e enterram os restos mortais perto da saída do bunker.

Mas foi apenas no dia 8 de maio que o fim oficial do Terceiro Reich, proclamado por Hitler, foi selado. Depois, a liderança da Wehrmacht (Forças Armadas da Alemanha Nazista) assina a rendição incondicional da Alemanha. Na Europa, termina assim a Segunda Guerra Mundial, que começou com a invasão da Polônia pela Alemanha, a 1 de setembro de 1939, e iria durar ainda por meses na Ásia – até a rendição do Japão, a 2 de setembro de 1945.